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Da confusão nasce... o caos

O que mais me repugna numa sociedade que se diz democrática é a existência de empresas de trabalho temporário. Sempre considerei indispensáveis empresas que forneçam serviços especializados a outras empresas, usando a economia de escala para a especialização dos seus funcionários efectivos. Entendo que as empresas devem recorrer a serviços de outsourcing sempre que precisem de técnicos especializados para tarefas específicas para as quais não tenham colaboradores habilitados. Contudo não aceito as empresas que promovem os novos escravos e que se assumem como empresas de trabalho temporário. Este termo só esconde uma forma de exploração medieval permitida pelos governos ditos democráticos e a fórmula é simples: os patrões, não os empresários, contratam estes esclavagistas, para arranjarem pessoas dispostas a ganhar uma pequena parte do valor contratado para a tarefa. O resto fica para a empresa angariadora da mão-de-obra.

Em Portugal o trabalho temporário tem um provedor que afirma:” trabalho temporário deveria ser fiscalizado pela ASAE”.

É o público de 7 de Abril que dá a notícia e acrescenta: “ A maioria das empresas torce o nariz à ideia mas Vitalino Canas, provedor do Trabalho Temporário (PTT), considera que seria necessário haver mais fiscalização no sector e que a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) seria o veículo ideal para isso.

Em declarações ao PÚBLICO, à margem da apresentação do primeiro relatório de actividade do PTT, que completa 18 meses de actividade, Vitalino Canas defendeu que é preciso começar a discutir já o regime jurídico de licenciamento das empresas de trabalho temporário.Actualmente, segundo informações disponíveis no site PTT, há cerca de 240 empresas do sector a operar em Portugal. Contudo, adianta Vitalino Canas, “ninguém sabe quantas empresas não legalizadas há”.De acordo com o PTT, “a legislação do licenciamento terá de ser revista e, embora a maior parte das empresas de trabalho sustente que o licenciamento deveria passar para a alçada do Ministério da Economia [em vez de estar a cargo do Instituto de Emprego e Formação Profissional], isso só faria sentido se fosse acompanhado por mais fiscalização, através da ASAE”.Vitalino Canas confessa que as empresas de trabalho temporário “não gostam desta solução”, embora queiram uma maior fiscalização do sector, até para se protegerem da “concorrência desleal das empresas ilegais”


·Paralelamente, o PTT defende que a actual lei de licenciamento não impede grandes empresas – sobretudo da banca e dos serviços públicos – de criarem as suas próprias empresas de trabalho temporário para “diminuir custos de pessoal e satisfazer necessidades geralmente permanentes de recursos humanos
”.

O dia do trabalhador aproxima-se e é urgente pensar nestas questões que degradam a nossa sociedade e nos levam, fatalmente para o abismo. A fome das pessoas é a ignição da revolta. Por tudo isto devemos estar atentos aos movimentos que surgem na sociedade. MayDay é um movimento em que é manifesta alguma confusão misturada com ingenuidade e generosidade…


Acção MayDay Lisboa 2009 :: Encerramento de ETTs



“O MayDay é uma parada de precári@s, que vem marcando o 1º de Maio em várias cidades por esse mundo fora, desde da estreia em 2001, em Milão. No ano passado, a iniciativa MayDay chegou a Lisboa, juntando algumas centenas de pessoas contra a precariedade no trabalho e na vida. Este ano, o MayDay Lisboa já começou: uma organização aberta a tod@s, que vai fazendo assembleias, acções públicas, festas, etc. Na parada MayDay cabemos tod@s: mais nov@s e mais velh@s, operadores de call-center, "caixas" de supermercado, cientistas a bolsa, intermitentes, desempregad@s, estagiári@s, contratad@s a prazo, estudantes que vivem ou pressentem a precariedade,…

A 1 de Maio juntamo-nos contra a exploração, contra o emagrecimento dos apoios sociais e à habitação, desafiando o cinzentismo e continuando o percurso de mobilização e visibilidade. Contamos contigo?

No dia 1 de Maio vamos para a rua. Porque esta não foi apenas feita para albergar sedes de empresas, escritórios, restaurantes de comida rápida e outros locais onde decorre todo um estado de excepção laboral, onde a exploração, o abuso, a instabilidade e a ilegalidade se tornaram lei.

No dia 1 de Maio queremos transformar a rua num espaço em que desfila a alegria da recusa de uma vida aos bocados.”

Do manifesto no blogue http://maydaylisboa.blogspot.com/

Ode com sentido errante


The tree of life - Gustav Klimt

Na minha rua já se vislumbram os primeiros sintomas que a primavera anda por aí. No inicio veio a dona Popota de Azevedo fazer pára-quedismo e o jacaré Anastácio, fascinado pela bela faixa de promoção do supe mecado MORDELO que pendia do belo pára-quedas colorido, ficou chato ou talvez esmagado pela falta de cuidado na dieta da doce paquiderme.

Depois foi o mais bonito e bucólico-romântico: Os elefantes decidiram começar a fazer os seus ninhos nas copas das árvores da minha rua...
Com tão enternecedora cena, não resisti a fazer um poema inspirado no poeta Afonso Lopes Vieira, e na sua obra "Os Ninhos", que por acaso não era dedicada aos paquidermes.

OS NINHOS ELEFANTIS
Os elefantinhos
tao engraçados
fazem os ninhos
com mil cuidados

São para os filhinos
que estão a fazer
atrás da árvore
com muito prazer

Na tromba trazem
coisas ligeiras
troncos de platano
e algumas oliveiras

De trombas vêm
todos vaidosos
Enchendo a pança
daqueles gulosos

E se pensas
balançar o ninho
de certeza ficas
bem esmagadinho

Bem nos lembremos
sempre também
que a primavera
é filha da mãe


Sentido da Vida

Como a simplicidade de umas papoilas devia ser a vida. Para quê complicá-la quando existem coisas cheias de cor e de luz e que nem se costuma reparar?....
MCM 11/2008

Preocupações...??!!!


O NADA.
Alguém consegue imaginar o que é o NADA?
Pois o NADA é exactamente TUDO mas ao contrário, ou seja, enquanto no TUDO se tem, se vê, se ouve, se sente......e tudo!......no NADA não existe NADA disso, não há nada, não se vê, não se ouve, não se sente.....NADA!
Então, como se pode afirmar que o NADA existe e se pode falar dele? Alguém tem provas disso?

Daqui se pode depreender que o NADA só existe quando existe TUDO, assim como é verdadeira a sua recíproca. Ou seja, isto demonstra que TUDO é relativo; depende sempre da proporção.

Assim, para quê preocuparmo-nos? Se a relatividade de TUDO é evidente...

Maria Monteiro

O SENTIDO DA FORMA

A FORMA DE SER
A forma é como queremos estar. Estar em forma não significa que tenhamos que estar em formatura, embora a formatura das pessoas seja importante para algumas, já que para as outras não tem importância nenhuma: outras formas de ver e de sentir as formas. Para sentir as formas é importante o sentido do tacto e que a forma esteja em forma para a sensação ser mais agradável, já que há sempre o risco de, ao apalpar a forma, tenhamos como reacção um forte impacto da mão da forma que nos faz sentir dores no local atingido de forma evidente e, principalmente, no nosso ego deformado.
O ego é o centro de tudo, por isso se diz egocêntrico quando o centro e o ego coincidem. O egocentrismo é uma ciência estudada, principalmente nos cursos de balística como forma de atingir a forma mesmo no centro. Após longa preparação de tiro ao alvo, os egocentristas, formados em egocentrismo, permanecem formados em formatura em belas e longas paradas militares tão apreciadas pela população.Esta é uma forma informal de homenagear as formas deste mundo tão disforme e sem forma de melhorar. E que me dizem de ir untar uma forma para realizar um bolo de belo formato?


Helder Monteiro

A ESSÊNCIA DOS SENTIDOS

A ESSÊNCIA DO SER
É a essência que distingue o ser do não ser. Esta marca indelével do conhecimento do ser e do não ser foi exaustivamente estudada pela eminente antropofilosofica Lady Lily Caneças na obra “SER É O CONTRARIO DO NÃO SER”. A eminente professora defende a tese que a essência do ser distingue-se perfeitamente do não ser através da sua essência. A essência é pois, com toda a convicção, defendida pela catedrática do conhecimento, a essência da essência que é essencial para definir a essência do ser e do não ser. A partir da essência sabemos quem somos e como somos interpretados pelo ambiente que nos rodeia e, finalmente, o ambiente que criamos e em que se torna o ambiente onde estamos.
A essência do ser ambientador que somos e do ambiente que nos envolve depende apenas dum pequeno pormenor que nos dá a nossa essência — a AXILA que nos acompanha ao longo da vida. Não vale a pena disfarçarmos a nossa essência com qualquer desodorizante que a nossa essência é essencial para a nossa essência e daqueles que nos rodeiam.
Esta é apenas uma pequena homenagem àquela parte anatómica que teimamos esconder debaixo do braço e que perfuma a vida de cada um e dá ao SENTIDO DO OLFACTO uma dimensão fantástica.

Helder Monteiro

O Deleite

Deleite é um sentido da vida
A vida tem muitos sentidos
Saber o sentido pode ser uma ilusão
A vida também nos obriga e proíbe
Quero ir por aí mas...
O sentido proibido deixa-nos sabor amargo…
…de não saborear a liberdade
Ver o sentido não é obrigatório!
Será a vida um sentido obrigatório?
…ou uma via com dois sentidos alternados?
Ora em cima ora em baixo sempre a lutar
contra a tirania dor poder que nos obriga
a usar os sentidos que não queremos
Este silêncio está-me a ensurdecer
E tudo isto já me cheira muito mal
Vai apalpar outro que não te quero sentir
cínico, cobarde, desumano
Vidas sem sentido que nos desnorteiem e
nos afastam do rumo de sermos livres:
Tomar o melhor sentido para o nosso deleite
Sim que para mim o melhor é o sentir o de-
leite, nosso primeiro alimento e supremo prazer
Não me importa aquilo em que estejam a pensar
Seus perversos castradores
É assim que eu sinto e pronto!
Para meu próprio deleite!
Helder Monteiro

Margens

Uma vez, ia eu a passar a ponte a pé…precisava de ir apanhar o barco à outra margem. Mas, depois, pensei, se estava eu na margem de cá, para que queria eu passar a ponte a pé para, depois, apanhar o barco para voltar para cá?Então, decidi apanhar o barco de cá para lá para, depois, passar a ponte a pé mas, sim, de lá para cá…

Maria Monteiro

A OESTE TUDO… AGONIZA

O Oeste é palco de mais um capítulo da macabra encenação do zoológico de sofrimento humano. As televisões tornam Caldas da Rainha pasto de demagogia politica com o encerramento da “maior fábrica de cerâmica nacional”. A burguesia lisboeta, políticos e pseudo-jornalistas, que vivem “à grande” à custa do trabalho e desespero daqueles que apelidam de provincianos descem à província para se mostrarem. Nós, os provincianos, pagamos impostos para que Lisboa e Porto possam ter as mordomias de transportes públicos hiper deficitários. A empresa SECLA sucumbe ao fim de 61 anos de intenso e inestimável serviço ao país. Pessoas são arrastadas para o sofrimento, sem esperança, de voltarem a trabalhar que o país irá ignorar e desejar que rapidamente morram para não estragar as brilhantes estatísticas a apresentar à comunidade europeia. Os Centros de Desemprego rejubilam com novos clientes para manterem a sua sinistra actividade. Este país deprime-nos e mata-nos de sofrimento, mas a publicidade institucional quer contrariar a realidade com o slogan “A OESTE TUDO DE NOVO”.
Que mais querem de nós?
Helder Monteiro

Mais um, de tantos exemplos, do liberalismo descontrolado

É com absoluto pesar mas também com toda a compreensão de causa que publicamos o excerto de um mail que nos acabou de chegar:

"Olá a todos,
É com muita tristeza que vos envio este e.mail. Como já viram certamente nas noticias, a unidade fabril da SECLA encerra hoje... e por isso também para mim é o último dia de trabalho na SECLA, há quase 31 anos que comecei a trabalhar aqui e foi o meu 1º emprego, sendo da 1ª vez 7 anos e nesta segunda fase faz agora 15 anos... (...)"

Nós próprios que também sabemos o que é não ter trabalho durante muito tempo (anos) estamos com esta senhora e com todos os seus colegas, assim como com todos os casos semelhantes neste país, pelo menos.
Não podemos fazer nada, infelizmente, mas ao divulgarmos mais este exemplo de liberalismo desmedido, de gestões danosas, da falta de consideração pelo ser humano, europeu, neste caso, talvez se consiga "agitar" algumas mentes (i)responsáveis e, num futuro que esperemos que todos ainda possamos ver, os nossos dias sejam melhores e, principalmente, justos.
A nossa melhor compreensão.
A equipa da "Agenda dos Sentidos"

Uma crónica dos espectáculos da minha juventude

Que saudades!!! De tudo!! De quando eu era uma jovem que comprava com semanas de antecedência os bilhetes para o queridíssimo Coliseu dos Recreios, de tantas memórias, de tantas noites, dos meus imprescindíveis artistas da Música Popular Brasileira, Bethânia, a minha diva de sempre, o mano, Caetano, o meu guru, Gilberto Gil, uma das pessoas mais bonitas que existem, Chico Buarque, o génio, infelizmente não tantas vezes no Coliseu e uma delas no antigo Pavilhão dos Desportos, que depois do espectáculo não me podia mexer com dores de costas devido àquelas bancadas lindas..., Simone, a Bittencourt de Oliveira, aquele 1,78m (a mesma altura que eu) de mulher linda a cantar as maravilhas preciosas do Ivan Lins......enfim, tantos e tantas noites, repetidas e repetidos....O Ney Mato Grosso, outra pessoa muito bonita, que vi em variados registos, desde a versão de "índio" a dançar no palco durante todo o espectáculo, passando pela versão vestido de licra como segunda pele, colada ao corpo, super decotada de alto a baixo e a dançar sensualmente, a plateia cheia de mulheres a gritarem como loucas e alguns homens visivelmente delirantes com o Ney, até uma outra versão que nunca esquecerei e, para mim, a mais bonita de todas, um espectáculo chamado "Pescador de pérolas", que constituiu depois um disco absolutamente obrigatório na secção "MPB" numa discoteca e onde ele cantava, vestido impecavelmente de fato branco, acompanhado a piano, canções tradicionais da America Latina,...
As horas de antecedência com que se tinha de ir no dia do espectáculo, aquela porta lateral esquerda do Coliseu, ao cimo da subida repleta de gente, numa fila com uma largura de, pelo menos, 10 pessoas que se acotovelavam para conseguir chegar ao local das bancadas do Coliseu de onde se tinha uma visão melhor do palco, porque a malta era jovem e não havia muita massa e a que havia dava apenas para nos podermos sentar no "chega-ta p'ra lá" do Coliseu.
Aquelas queijadas, duríssimas, de Sintra que se compravam no intervalo e que depois nunca se chegavam a conseguir comer,...No final, os encores que a malta exigia!! Sim, que no Coliseu isso era completamente obrigatório! Nós exigíamos isso dos artistas. Exigíamos com os aplausos durante muitos minutos seguidos, acompanhados do bater de pés de, pelo menos, 5 mil pessoas, que era a lotação máxima do Coliseu antigamente, e a que ninguém ficava indiferente. Uma vez o Ney voltou, ao fim de vários encores, para agradecer apenas, envolto numa toalha de veludo vermelho…..foi o vir a abaixo do Coliseu!!!Aquelas noites eram absolutamente maravilhosas, eu crescia, tornava-me mulher, sentia-me uma pessoa privilegiada por ter a sorte de ser de Lisboa, viver em Lisboa e ter à mão um Coliseu dos Recreios que me transformava numa pessoa melhor.

Maria Monteiro

Gatos e cães

A gata preta com bolas brancas ia no seu caminho, muito tranquila mas sempre com os bigodes alerta a tudo o que a rodeava. Ao dobrar uma esquina, assustou-se!!! Surgiu-lhe à frente um cão, enorme, branco com bolas pretas, com um ar apressado, embora um tanto descoordenado nos seus movimentos, parecendo que cada um dos seus membros se destacava dos restantes.
Assim que viu a gata, perguntou-lhe as horas. A gata que, precisamente, naquele dia tinha deixado o relógio em casa, tentou olhar para o Sol no sentido de poder dar-lhe uma resposta, a mais concisa e rigorosa possível. O cão, apercebendo-se dos movimentos da gata compreendeu também que, se olhasse para o Sol, ficaria a saber, concerteza as horas.
Passaram alguns instantes e, tanto a gata como o cão, encandeados com a esfera solar, tentaram olhar um para o outro. Foi, então, quando nasceu aquela maravilhosa paixão entre os dois.
Hoje, são pais de 7 lindos cagatos, 3 pretos com bolas brancas, outros 3 brancos com bolas pretas e 1, lindo, em formato de relógio de sol que a D. Zulmira, assim que o viu com 2 dias de nascença, o quis imediatamente para si para o colocar no seu belo quintal, passando, desde então todo o bairro a regular-se pelas horas que aquele cagato emitia.
Maria Monteiro

POEMA EM MIM MENOR de Helder Monteiro


ABOMINAVEL MUNDO NOVO (em carne viva) de Helder Monteiro

Esta não é a nossa terra prometida...
Já não somos o planeta azul!

Paradoxo

" ISTO NÃO É UM SORRISO! "



Helder Monteiro

UM MUNDO SEM MAGIA MATA A NOSSA ALEGRIA


O futuro dilui-se na desilusão presente. A ilusão consolidada no século XX com a argamassa das fantásticas descobertas do final do século XIX perdeu a magia num novo século sem solidariedade onde as pessoas não fazem sentido. Uma Europa que põe o défice acima das pessoas que diferença faz de Hitler e Stalin que puseram as sua loucura acima de tudo e provocaram genocídios…
Helder Monteiro