Que saudades!!! De tudo!! De quando eu era uma jovem que comprava com semanas de antecedência os bilhetes para o queridíssimo Coliseu dos Recreios, de tantas memórias, de tantas noites, dos meus imprescindíveis artistas da Música Popular Brasileira, Bethânia, a minha diva de sempre, o mano, Caetano, o meu guru, Gilberto Gil, uma das pessoas mais bonitas que existem, Chico Buarque, o génio, infelizmente não tantas vezes no Coliseu e uma delas no antigo Pavilhão dos Desportos, que depois do espectáculo não me podia mexer com dores de costas devido àquelas bancadas lindas..., Simone, a Bittencourt de Oliveira, aquele 1,78m (a mesma altura que eu) de mulher linda a cantar as maravilhas preciosas do Ivan Lins......enfim, tantos e tantas noites, repetidas e repetidos....O Ney Mato Grosso, outra pessoa muito bonita, que vi em variados registos, desde a versão de "índio" a dançar no palco durante todo o espectáculo, passando pela versão vestido de licra como segunda pele, colada ao corpo, super decotada de alto a baixo e a dançar sensualmente, a plateia cheia de mulheres a gritarem como loucas e alguns homens visivelmente delirantes com o Ney, até uma outra versão que nunca esquecerei e, para mim, a mais bonita de todas, um espectáculo chamado "Pescador de pérolas", que constituiu depois um disco absolutamente obrigatório na secção "MPB" numa discoteca e onde ele cantava, vestido impecavelmente de fato branco, acompanhado a piano, canções tradicionais da America Latina,...
As horas de antecedência com que se tinha de ir no dia do espectáculo, aquela porta lateral esquerda do Coliseu, ao cimo da subida repleta de gente, numa fila com uma largura de, pelo menos, 10 pessoas que se acotovelavam para conseguir chegar ao local das bancadas do Coliseu de onde se tinha uma visão melhor do palco, porque a malta era jovem e não havia muita massa e a que havia dava apenas para nos podermos sentar no "chega-ta p'ra lá" do Coliseu.
Aquelas queijadas, duríssimas, de Sintra que se compravam no intervalo e que depois nunca se chegavam a conseguir comer,...No final, os encores que a malta exigia!! Sim, que no Coliseu isso era completamente obrigatório! Nós exigíamos isso dos artistas. Exigíamos com os aplausos durante muitos minutos seguidos, acompanhados do bater de pés de, pelo menos, 5 mil pessoas, que era a lotação máxima do Coliseu antigamente, e a que ninguém ficava indiferente. Uma vez o Ney voltou, ao fim de vários encores, para agradecer apenas, envolto numa toalha de veludo vermelho…..foi o vir a abaixo do Coliseu!!!Aquelas noites eram absolutamente maravilhosas, eu crescia, tornava-me mulher, sentia-me uma pessoa privilegiada por ter a sorte de ser de Lisboa, viver em Lisboa e ter à mão um Coliseu dos Recreios que me transformava numa pessoa melhor.
Maria Monteiro