O MayDay é uma parada contra a precariedade, que vem marcando o 1º de Maio em várias cidades por esse mundo fora, desde da estreia em 2001, em Milão. Chegou há dois anos a Lisboa e este ano acontece também no Porto.
Conscientes de que a mudança das nossas vidas exige muito mais, recusamos a espera e a resignação. O MayDay é uma força comum que, cansada de carregar o peso de todo um sistema económico que lhe usurpa a vida, quer criar autonomamente e decidir livremente.
Por isso nos juntamos a 1 de Maio. Somos "recibos verdes" e trabalhadores de empresas de trabalho temporário, estagiários e pensionistas, imigrantes e endividados perante o banco, estudantes-(já/ainda/quase)-trabalhadores e operadores de call-center, bolseiros e intermitentes do espectáculo, contratados a prazo e desempregados ou, simplesmente, pessoas que não aceitam a chantagem da precariedade.
José Magalhães in http://clubedospensadores.blogspot.com/2009/02/desemprego.html
Só no mês de Janeiro, mais 70 000 desempregados inscritos nas listas. Está tudo descontrolado, e o governo vem dizer que tudo estava previsto. Já se sabia, dizem, quando há bem pouco tempo diziam que iríamos ultrapassar esta crise com uma perna às costas. Está tudo doido neste nosso país, que apesar de tudo, continua a dar votos ao partido do governo, para já virtuais, nas sondagens que se vão fazendo por aí. Estes números são de arrepiar os cabelos e de se ficar realmente assustado. A meta dos 8%, vai ser claramente ultrapassada, e o governo diz que já tomou as medidas necessárias para ultrapassar tudo isto, e que agora só resta esperar. E enquanto se espera, lá vão aparecendo mais uns milhares de desempregados por dia. O que me parece é que ninguém sabe o que há-de fazer, nem como, e lá vão dizendo umas coisitas aqui e outras ali, para nos taparem os olhos com a peneira. E quem se vai lixando, é como de costume, o mexilhão (nome pomposo a dar aos Portugueses que dependem do trabalho para sobreviver).
Na comemoração dos 60 anos da carta da declaração dos direitos do homem, uma organização se assume tomar para si esta declaração que deveria de ser de toda a humanidade. E decide, de forma autista, celebrar o facto com alguns debates, sem dúvida necessários, mas não neste país onde se violam os direitos humanos das pessoas que sofrem com o desemprego, a exclusão e a pobreza ou ameaça dela. Reconheço o pendor pouco democrático de alguns elementos da referida associação e gostaria de ver a sua opinião sobre a violência de género e pedofilia, quando é normal só pensarem nos direitos dos réus agressores e desprezarem as vitimas da violência daqueles. Peço um momento de humanismo da amnistia para reflectirem a forma como estão a ser tratados neste país alguns artigos da Declaração Universal dos Direitos do Homem.
Artigo 22.º
Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos económicos, sociais e culturais indispensáveis, graças ao esforço nacional e à cooperação internacional, de harmonia com a organização e os recursos de cada país.
Artigo 23.º
1. Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho e à protecção contra o desemprego.2. Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual.3. Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe permita e à sua família uma existência conforme com a dignidadehumana, e completada, se possível, por todos os outros meios de protecção social.
4. Toda a pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindicatos e de se filiar em sindicatos para defesa dos seus interesses.
Artigo 24.º
Toda a pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres e, especialmente, a uma limitação razoável da duração do trabalho e a férias periódicas pagas.
Artigo 25.º
1. Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade.
A liquidação do grupo têxtil deixa 435 pessoas desempregadas Lois: acabaram as calças de ganga do touro 08.10.2008 - 18h24 Inês Subtil
O grupo Sáez Merino, do qual faz parte a Lois e outras empresas têxteis, anunciou a sua liquidação, noticia hoje a imprensa espanhola. Com este encerramento 435 pessoas perdem o seu emprego e desaparece uma das marcas mais famosas de calças de ganga, reconhecidas pelo símbolo de um touro.Por explicar ficam os motivos que levaram o grupo a tomar esta decisão. Fontes sindicais, citadas pelo “El Mundo”, contam que os trabalhadores também não sabem exactamente o que aconteceu. Parece claro, no entanto, que chegou o fim de uma marca conhecida, que a partir de hoje deixa de ser produzida nas duas fábricas operacionais do grupo em Espanha, uma em Valência e outra em Cidade Real. Antes de 2004, o grupo chegou a ter mais de mil trabalhadores. Nessa altura começou o declínio, encerrou quatro fábricas e deslocou parte da produção para Marrocos numa tentativa de tentar fazer baixar os custos de produção. O grupo têxtil começava então a sentir os efeitos da concorrência vinda dos países asiáticos. Situação atípica de fecho. Depois de tempos conturbados, o fim da Sáez Merino agora anunciado deixa muitas questões em aberto. A imprensa espanhola explica que o grupo tinha estabelecido um acordo entre credores de quatro das suas empresas (a General Garments SA, a Sáez Merino SAU, a Sáez Merino Sewing SAU e a Sáez Merino Textile SAU), que continua por cumprir. Segundo os jornais espanhóis, está tudo em suspenso devido a um recurso apresentado pelo grupo por causa da sua dívida com a Tesouraria Geral da Segurança Social (TGSS). Por sua vez, a TGSS recorreu desta decisão. Como este último recurso ainda não foi solucionado o acordo está “aprovado mas paralisado”, explicou a confederação sindical espanhola, Comissões Obreiras, citada pelo “El País”. O mesmo sindicato destacou que o grupo, em fase de liquidação, se encontra numa situação atípica porque fica por esclarecer se a dívida dos credores foi resultado do acordo estabelecido entre eles ou se é anterior a isso.Entre os credores estão trabalhadores, aos quais a empresa deve um salário, e também ex-empregados que aproveitaram há pouco tempo para conseguir a pré-reforma.A famosa marca de calças de ganga nasceu em 1962 e ganhou o nome Lois, uma versão de Luís, o nome de um dos membros da família Sáez Merino. Na década de 70, as primeiras campanhas de publicidade com a participação de Rod Stewart e dos Abba deram à marca fama internacional.