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Brincar de amor...



O seu amor
ame-o e deixe-o
brincar
ame-o e deixe-o
correr
ame-o e deixe-o
cansar
ame-o e deixe-o
dormir em paz

Gilberto Gil


"(...) Para quase todos os jovens que ouvi, esta sequencia dos versos de Gil (Gilberto Gil) revelou uma evidente e fascinante relação entre o ato de amar e a lucidez da existência, pautada por verbos que exprimem os grandes prazeres da infância: brincar, correr, cansar e dormir. O homem, quando ama, brinca de Deus, já pensei certa vez. Hoje penso muito diferente: o homem adulto, quando ama, brinca de ser criança.
(...)
Assim fica fácil compreender Gil: amar deve ser um faz-de-conta de verdade. Viver não é pensar e saber do jeito que desejaram os racionalistas, nem tão pouco é trabalhar na maneira marxista, mas sim brincar e jogar como gostam os anarquistas. Para quem curte o Latim, fica mais bonito assim: o Homo não é sapiens nem faber, ele é ludens!"- Roberto Freire, in "Ame e dê Vexame", 1990.

Declaração do amante anarquista de Roberto Freire

Declaração do amante anarquista

Porque eu te amo, tu não precisas de mim. Porque tu me amas,
eu não preciso de ti. No amor, jamais nos deixamos completar.
Somos, um para o outro, deliciosamente desnecessários.

Roberto Freire

O amor não é coisa fácil.....

De Roberto Freire*
"(...)Os amantes sabem que só se ama por inteiro, ou então o que estão fazendo não é amor, mas uma associação de interesses mútuos, um negócio.
Além disso, quando se ama, não se está pensando em segurança, duração, controle, posse, pois isso corresponde à forma com que o autoritarismo capitalista familiar ou de estado se expressa no plano pessoal e afectivo. Se sou um libertário, desejo que tanto eu quanto o meu parceiro vivamos o amor em liberdade, na emoção, no espaço e no tempo.
É o amor em si mesmo que comanda a intensidade, a beleza, a forma e a duração do nosso amor, em cada um e entre os dois, jamais o contrário."

Dizia também "Sei que a dificuldade para a realização plena do amor entre as pessoas não é um problema do amor em si, mas do ambiente social, dos preconceitos, da luta de classes, dos interesses económicos e politicos".


*Dizia em 1990, no seu livro "Ame e dê Vexame", Roberto Freire, brasileiro, escritor anaquista, começou por ser psicanalista, "declara guerra total a essa ideologia destruidora através de outra, natural e ecológica: a ideologia do prazer.
Através dessa luta e em função dela, criou Soma, uma forma de terapia-pedagogia holisticamente libertária, com a qual combate, há quase 20 anos, todas as formas de autoritarismo e sacrifício. E denuncia como essas ideologias de "não-vida" são sustentadas sobretudo pelas religiões judaico-cristãs, pelo Marxismo e pela Psicanálise."



Maria Monteiro

Este post é dedicado a uma amiga pessoal, tendo-lhe dado conhecimento.