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António Lobo Antunes, - "Cartas de Guerra" - visto pelos espanhóis
Microespacio dedicado a la literatura, titulado café con libros, dentro del programa de la TPA contresentidos. En esta ocasión se analiza la obra del novelista portugués António Lobo Antunes.
"O "Arquipélago da Insónia" de António Lobo Antunes
Começamos por uma casa, pelo sentimento uma força em exercício, um poder que vem de há muito tempo, quando essa casa era igual mas era uma herdade, um latifúndio, quando nada faltava a família, as empregadas na cozinha, o feitor, os campos, a vila ao fundo, e a voz do avô a comandar o mundo.
Agora há fotografias no Alentejo em vez de pessoas, e há objectos, cientes que também acabarão sem ninguém, há memórias de quem dorme, ou morreu, mortos que não sabem se a vida foi vida, há os irmãos, um é autista, e a imagem da mãe muito nítida, sempre de costas
(alguma vez a vi sem ser de costas para mim?).
Nessa altura já não se sabia a que cheira o vento, como não se sabe para onde foi a Maria Adelaide, morta também, foi para Lisboa?
A herdade foi tirada ao autista, e a doença (de quem?) é um arquipélago branco nas radiografias dos outros, um arquipélago normal, inocente. Estão todos mortos ou estão todos a sonhar e trocaram de sonhos, como se pudessemos trocar de sonhos.
De qualquer forma, sabemos que daqui a nada será manhã mas aquilo que se disse ainda se ouve lá dentro
(- Não precisa de se casar comigo menino o seu pai nunca casou comigo)
E então vamos sabendo que não será manhã nunca.
(Obrigada Isabel pela sugestão)
LAS ROSAS DE PIEDRAS I
LAS ROSAS DE PIEDRAS Ide LLAMAZARES, JULIO
EDICIONES ALFAGUARA, S.A. - GRUPO SANTILLANA
Lengua: CASTELLANOEncuadernación: Linotex
ISBN: 9788420473826
Nº Edición:1ª
Año de edición:2008
Plaza edición: MADRID
«Éste es un viaje en el tiempo y en la geografía. En el tiempo, hacia la época en la que se construyeron esos maravillosos edificios que conocemos como catedrales; y, en la geografía, a través de un país que es un mosaico de regiones tan diferentes como sus paisajes. La razón de que haya elegido las catedrales para este viaje es muy transparente: la atracción que me han producido siempre esos fantásticos edificios que constituyen las cajas negras de nuestra historia. Conocerlas de verdad y no de paso, vivir dentro de ellas un día para sentir toda su belleza, al tiempo que se descubren sus secretos y leyendas, es lo que he hecho desde hace años para contárselo a mis lectores. A deshojarlas como si fueran rosas de piedra, enormes rosas arquitectónicas surgidas hace cientos de años, he dedicado este libro. Y todo ello sin otra voluntad que la viajera y sin otra intención que la literaria. Esa que sigue la estela de los antiguos viajeros. Los viajeros, en suma, que iban buscando la magia que el mundo ofrece a los que lo andan».
Julio Llamazares
Fundação José Saramago
José Saramago terminou um novo livro. Chama-se A viagem do elefante.
Queridas amigas, queridos amigos,
Escrevê-lo não foi um passeio ao campo: Saramago lançou-se a esta tarefa quando estava incubando uma doença que tardou meses a deixar-se identificar e que acabou por manifestar-se com uma virulência tal que nos fez temer pela sua vida. Ele próprio, no hospital, chegou a duvidar que pudesse terminar o livro. Não obstante, sete meses depois, Saramago, restabelecido e com novas energias, pôs o ponto final numa narração que a ele não lhe parece romance, mas conto, o qual descreve a viagem, ao mesmo tempo épica, prosaica e jovial, de um elefante asiático chamado Salomão, que, no século XVI, por alguns caprichos reais e absurdos desígnios teve de percorrer mais de metade da Europa.
ler mais em http://blog.josesaramago.org/
11 de Setembro de 1973
Falando de Estados Unidos, hoje é 11 de Setembro e eu gostava de lembrar aqui um 11 de Setembro mais esquecido que o de 2001 cujas vítimas têm todo o meu respeito, o de 1973.
"O golpe militar de 11 de Setembro de 1973, executado a mando dos Estados Unidos sob a capa do eufemismo de combater o comunismo, foi para experimentar no Chile uma teoria económica que, com qualquer oposição submetida pelo terror, tinha de funcionar. Nunca se desmantelou a indústria nacional de um país com tanta celeridade. Nunca um país se tornou tão dependente, em nome de uma competitividade na qual não podia tomar parte. Nunca se gerou uma classe de ricos tão ricos e nunca o empobrecimento económico, moral e cultural de um país se deu de maneira tão veloz. Nunca se entregaram os recursos naturais de uma país com tanta generosidade e nunca um país foi tão generoso tributariamente com os investidores.
Mas, no ano de 2006, o "isto é o que há" alterou-se. O modelo económico neoliberal provocou crises globais, o peso do mercado sobre os Estados Unidos e as instituições de cidadania fez com que, sem se poderem opôr, os habitantes do planeta sejam vítimas de uma regressão do capitalismo, que voltou a uma fase de acumulação primária, na qual vale tudo para assegurar a multiplicação do lucro, enquanto que os estados, lumpenizados, se limitam a gerir o espólio dos seus cidadãos ou a reprimir, no pior dos casos.
E como o "isto é o que há" se alterou, porque dos golpes militares para combater o "inimigo interno" se passou directamente para a agressão, sendo esta a única maneira de compreender a querra do Iraque ou as constantes tentativas de desestabilização do governo de Hugo Chávez, a grande esperança que Michelle Bachelet gerou é uma esperança ética.
Os Chilenos desejam recuperar o direito de projectar as suas vidas para um futuroi necessariamente melhor, mas visível. Desejamos recuperar um sentido de dignidade nacional, que começa por reconhecer que a opinião de uma chilena ou de um chileno é tão importante quanto a de um investidor estrangeiro. Queremos recuperar o direito de imaginar um país no qual não haja cidadãos de segunda classe. Um país em que se reconheça a preciosa diversidade dos povos autóctones e se reivindiquem definitivamente os seus direitos como povos. Desejamos recuperar o direito de decidir sobre a nossa constituição, de participar na vida pública e política sob o prisma saudável de "um homem, um voto". Desejamos voltar a ser todos iguais perante a lei, e que a lei seja igual para todos. Desejamos desenvolver harmoniosamente a nossa vida cívica para que connosco evolua a democracia que queremos. Desejamos que a nossa democracia defina os limites do mercado, e não, como propõe o neoliberalismo, que o mercado limite as conquistas da democracia.
E todos estes desejos, e muitos mais, constituem a força do voto de confiança que Michelle Bachelet recebeu.
A partir desta esperança, Michelle bachelet tem todo o meu modesto apoio como escritor e chileno sem direitos. Mas esse apoio será sempre crítico, construtivamente crítico, porque assim aprendi com Salvador Allende, porque assim mo dita a minha cultura socialista"
in Sepúlveda, Luis, Crónicas do Sul, Ed ASA, Janeiro de 2008
"O golpe militar de 11 de Setembro de 1973, executado a mando dos Estados Unidos sob a capa do eufemismo de combater o comunismo, foi para experimentar no Chile uma teoria económica que, com qualquer oposição submetida pelo terror, tinha de funcionar. Nunca se desmantelou a indústria nacional de um país com tanta celeridade. Nunca um país se tornou tão dependente, em nome de uma competitividade na qual não podia tomar parte. Nunca se gerou uma classe de ricos tão ricos e nunca o empobrecimento económico, moral e cultural de um país se deu de maneira tão veloz. Nunca se entregaram os recursos naturais de uma país com tanta generosidade e nunca um país foi tão generoso tributariamente com os investidores.
Mas, no ano de 2006, o "isto é o que há" alterou-se. O modelo económico neoliberal provocou crises globais, o peso do mercado sobre os Estados Unidos e as instituições de cidadania fez com que, sem se poderem opôr, os habitantes do planeta sejam vítimas de uma regressão do capitalismo, que voltou a uma fase de acumulação primária, na qual vale tudo para assegurar a multiplicação do lucro, enquanto que os estados, lumpenizados, se limitam a gerir o espólio dos seus cidadãos ou a reprimir, no pior dos casos.
E como o "isto é o que há" se alterou, porque dos golpes militares para combater o "inimigo interno" se passou directamente para a agressão, sendo esta a única maneira de compreender a querra do Iraque ou as constantes tentativas de desestabilização do governo de Hugo Chávez, a grande esperança que Michelle Bachelet gerou é uma esperança ética.
Os Chilenos desejam recuperar o direito de projectar as suas vidas para um futuroi necessariamente melhor, mas visível. Desejamos recuperar um sentido de dignidade nacional, que começa por reconhecer que a opinião de uma chilena ou de um chileno é tão importante quanto a de um investidor estrangeiro. Queremos recuperar o direito de imaginar um país no qual não haja cidadãos de segunda classe. Um país em que se reconheça a preciosa diversidade dos povos autóctones e se reivindiquem definitivamente os seus direitos como povos. Desejamos recuperar o direito de decidir sobre a nossa constituição, de participar na vida pública e política sob o prisma saudável de "um homem, um voto". Desejamos voltar a ser todos iguais perante a lei, e que a lei seja igual para todos. Desejamos desenvolver harmoniosamente a nossa vida cívica para que connosco evolua a democracia que queremos. Desejamos que a nossa democracia defina os limites do mercado, e não, como propõe o neoliberalismo, que o mercado limite as conquistas da democracia.
E todos estes desejos, e muitos mais, constituem a força do voto de confiança que Michelle Bachelet recebeu.
A partir desta esperança, Michelle bachelet tem todo o meu modesto apoio como escritor e chileno sem direitos. Mas esse apoio será sempre crítico, construtivamente crítico, porque assim aprendi com Salvador Allende, porque assim mo dita a minha cultura socialista"
in Sepúlveda, Luis, Crónicas do Sul, Ed ASA, Janeiro de 2008
Libros con arte
Érase una vez…
Desde los tiempos de Durero, pintor mater de la técnica xilográfica, la ilustración ha estado muy asociada al nombre de grandes artistas famosos, en algunos casos vinculada a sus comienzos, retomada ésta, en otras, una vez alcanzada la fama. La primera idea viaja hacia el archiconocido Gustave Doré, ilustrador por excelencia de los últimos tres siglos ( El cuervo, Orlando furioso, Las Aventuras del Barón Münchausen… ), sin embargo, en época moderna, un buen número de pintores dedicados y reconocidos como artistas plásticos han contado su propia versión de los grandes clásicos a través de un medio considerado menor: el grabado ( véase “impresión fotomecánica” en el s.XXI ). En España, Goya nos dejará algunos de sus mejores trabajos en estampas y, ya con las vanguardias históricas, habrá de eclosionar la litografía en los talleres de los maestros del s.XX. Artistas como Picaso, Chagall, Braque, Nolde, Grosz, Rouault o Henry Moore van a encontrar un medio para experimentar, para elaborar un nuevo formalismo, pero con la aplicación práctica de una difusión relativamente masiva ( con una consideración, ahora sí, de arte mayor gracias a la limitación y firma seriada ).
La historia más grande jamás contada
La representación de las grandes narraciones ha supuesto desde siempre un desafío para los artistas por lo que de mitos icónicos conllevan una vez superada por el tiempo su cualidad de simples historias. Hay que contar, además, que ciertos libros poseen un peso literario tal que pueden convertirse en enemigos de la creatividad del autor, en vez de incentivos, pero aquí radica precisamente uno de los mayores acicates de la creación artística: las limitaciones. Y, por lo general, suele ser un binomio en el que ambos ganan, el arte al nutrirse del rico imaginario presente en estas historias y la literatura al aumentar su valor con el acompañamiento de una narración paralela visual que la enriquece ( en ocasiones con la visión que otorgan unos cuantos siglos de diferencia ). Tan sólo hace falta volver la mirada a las ilustraciones que grandes artistas han realizado para el más famoso de los libros, La Biblia, para darse cuenta de ello: las 200 imágenes para la llamada “Biblia del oso” de Eduardo Arroyo en el s.XXI, los aguafuertes realizados por Chagall para la biblia encargada por Ambroise Vollard en 1930 o el trabajo que Doré realizará en 1866 para su famosa Biblia Ilustrada. Pero no es el único libro mítico que ha recibido la atención de famosos pintores: La Divina Comedia ( Botticelli, Dalí, Miquel Barceló ), El Quijote ( Dalí, Picaso, Antonio Saura, Mingote, William Hogarth ), Fausto o Robinson Crusoe engrosan las listas de múltiples obras ( un buen número poéticas ) ilustradas con mucho arte.
in http://www.artelista.com/
Desde los tiempos de Durero, pintor mater de la técnica xilográfica, la ilustración ha estado muy asociada al nombre de grandes artistas famosos, en algunos casos vinculada a sus comienzos, retomada ésta, en otras, una vez alcanzada la fama. La primera idea viaja hacia el archiconocido Gustave Doré, ilustrador por excelencia de los últimos tres siglos ( El cuervo, Orlando furioso, Las Aventuras del Barón Münchausen… ), sin embargo, en época moderna, un buen número de pintores dedicados y reconocidos como artistas plásticos han contado su propia versión de los grandes clásicos a través de un medio considerado menor: el grabado ( véase “impresión fotomecánica” en el s.XXI ). En España, Goya nos dejará algunos de sus mejores trabajos en estampas y, ya con las vanguardias históricas, habrá de eclosionar la litografía en los talleres de los maestros del s.XX. Artistas como Picaso, Chagall, Braque, Nolde, Grosz, Rouault o Henry Moore van a encontrar un medio para experimentar, para elaborar un nuevo formalismo, pero con la aplicación práctica de una difusión relativamente masiva ( con una consideración, ahora sí, de arte mayor gracias a la limitación y firma seriada ).
La historia más grande jamás contada
La representación de las grandes narraciones ha supuesto desde siempre un desafío para los artistas por lo que de mitos icónicos conllevan una vez superada por el tiempo su cualidad de simples historias. Hay que contar, además, que ciertos libros poseen un peso literario tal que pueden convertirse en enemigos de la creatividad del autor, en vez de incentivos, pero aquí radica precisamente uno de los mayores acicates de la creación artística: las limitaciones. Y, por lo general, suele ser un binomio en el que ambos ganan, el arte al nutrirse del rico imaginario presente en estas historias y la literatura al aumentar su valor con el acompañamiento de una narración paralela visual que la enriquece ( en ocasiones con la visión que otorgan unos cuantos siglos de diferencia ). Tan sólo hace falta volver la mirada a las ilustraciones que grandes artistas han realizado para el más famoso de los libros, La Biblia, para darse cuenta de ello: las 200 imágenes para la llamada “Biblia del oso” de Eduardo Arroyo en el s.XXI, los aguafuertes realizados por Chagall para la biblia encargada por Ambroise Vollard en 1930 o el trabajo que Doré realizará en 1866 para su famosa Biblia Ilustrada. Pero no es el único libro mítico que ha recibido la atención de famosos pintores: La Divina Comedia ( Botticelli, Dalí, Miquel Barceló ), El Quijote ( Dalí, Picaso, Antonio Saura, Mingote, William Hogarth ), Fausto o Robinson Crusoe engrosan las listas de múltiples obras ( un buen número poéticas ) ilustradas con mucho arte.
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2008: Ano Vieirino
O ano de 2008, em que passam quatrocentos anos sobre o nascimento do Padre António Vieira, S.I., será ano vieirino; ano de evocação da vida e da obra de uma figura ímpar da Cultura Portuguesa e Brasileira; ano de celebração de um homem de todos os tempos.
Ao longo da sua longa vida (1608-1697), repartida entre Portugal e o Brasil, com passagens por França, Holanda, Inglaterra e Itália, sempre este Jesuíta se assumiu como Actor no grande teatro do mundo, desdobrando-se em desempenhos tão fascinantes pela diversidade como pela genialidade da representação. Religioso, Escritor, Diplomata, Pregador, Teólogo, Profeta…, conheceu o triunfo e os aplausos, mas também o insucesso, a censura, o descrédito, a que quis e soube resistir.
Nele impressiona uma imensa energia, manifestada na acção e no discurso, aliás indissociáveis: para Vieira, dizer é fazer. A sua extensa e variada obra, reflectindo a sua extensa e variada vida, molda uma imagem viva do autor. Hoje, ler Vieira não é apenas entrar no grande teatro do mundo barroco: é descobrir, com maravilha, o infinito universo da palavra, prodígios, subtilezas e meandros da língua.
«Terrível palavra é um non. Não tem direito nem avesso: por qualquer lado que o tomeis, sempre soa e diz o mesmo» – afirmou, no Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma. Um non, um não (acrescentava), «Mata a esperança, que é o último remédio que deixou a natureza a todos os males». Não esqueceremos, pois, Vieira: de 6 de Fevereiro de 2008 a 6 de Fevereiro de 2009, decorrerão eventos comemorativos de diversa natureza, com destaque para o congresso internacional Padre António Vieira: 1608-2008 - VER, OUVIR, FALAR: O GRANDE TEATRO DO MUNDO.
O Ano Vieirino – iniciativa da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa) e do seu Centro de Estudos de Filosofia, da Faculdade de Letras e do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, e da Província da Companhia de Jesus – será um ano de festa, para todos quantos nela quiserem participar.
Apela-se às universidades e a todas as instituições académicas e culturais, nacionais e internacionais, que se associem à celebração do Ano Vieirino, promovendo acções de divulgação da obra e do pensamento de Vieira. Essas iniciativas serão integradas e difundidas pela Comissão Organizadora, desde que comunicadas oportunamente para serem inscritas no programa das comemorações.
A Comissão Organizadora de 2008 Ano Vieirino
in http://www.anovieirino.com/
Ao longo da sua longa vida (1608-1697), repartida entre Portugal e o Brasil, com passagens por França, Holanda, Inglaterra e Itália, sempre este Jesuíta se assumiu como Actor no grande teatro do mundo, desdobrando-se em desempenhos tão fascinantes pela diversidade como pela genialidade da representação. Religioso, Escritor, Diplomata, Pregador, Teólogo, Profeta…, conheceu o triunfo e os aplausos, mas também o insucesso, a censura, o descrédito, a que quis e soube resistir.
Nele impressiona uma imensa energia, manifestada na acção e no discurso, aliás indissociáveis: para Vieira, dizer é fazer. A sua extensa e variada obra, reflectindo a sua extensa e variada vida, molda uma imagem viva do autor. Hoje, ler Vieira não é apenas entrar no grande teatro do mundo barroco: é descobrir, com maravilha, o infinito universo da palavra, prodígios, subtilezas e meandros da língua.
«Terrível palavra é um non. Não tem direito nem avesso: por qualquer lado que o tomeis, sempre soa e diz o mesmo» – afirmou, no Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma. Um non, um não (acrescentava), «Mata a esperança, que é o último remédio que deixou a natureza a todos os males». Não esqueceremos, pois, Vieira: de 6 de Fevereiro de 2008 a 6 de Fevereiro de 2009, decorrerão eventos comemorativos de diversa natureza, com destaque para o congresso internacional Padre António Vieira: 1608-2008 - VER, OUVIR, FALAR: O GRANDE TEATRO DO MUNDO.
O Ano Vieirino – iniciativa da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa) e do seu Centro de Estudos de Filosofia, da Faculdade de Letras e do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, e da Província da Companhia de Jesus – será um ano de festa, para todos quantos nela quiserem participar.
Apela-se às universidades e a todas as instituições académicas e culturais, nacionais e internacionais, que se associem à celebração do Ano Vieirino, promovendo acções de divulgação da obra e do pensamento de Vieira. Essas iniciativas serão integradas e difundidas pela Comissão Organizadora, desde que comunicadas oportunamente para serem inscritas no programa das comemorações.
A Comissão Organizadora de 2008 Ano Vieirino
in http://www.anovieirino.com/
Outras dimensões
"Muchos años después, frente al pelotón de fusilamiento, el coronel Aureliano Buendía había de recordar aquella tarde remota en que su padre lo llevó a conocer el hielo.
(...)
El mundo era tan reciente, que muchas cosas carecían de nombre, y para mencionarlas había que señalarlas con el dedo"
Excerto do início da obra "Cien Años de Soledad" de Gabriel García Márquez.
Obra que mereceu o prémio Nobel e muitos e muitos outros grandes prémios ao longo de 41 anos, que agora celebra.
Muito mais que os prémios que mereceu, pessoalmente é um, ou, o meu livro preferido. Pelo que nos faz sonhar, pelo que nos ensina acerca da vida e da dimensão humana, e, claro, pela própria escrita do Mestre, faz-nos transportar para um universo desde o mais pragmático ao mais onírico. Faz-nos transportar a uma outra dimensão que só Gabriel García Márquez, Gabo para os amigos, é capaz de fazer!
Indiscutivelmente uma referência do século XX. Que nunca esquecerei de levar para a minha ilha deserta.......
Maria Monteiro
(...)
El mundo era tan reciente, que muchas cosas carecían de nombre, y para mencionarlas había que señalarlas con el dedo"
Excerto do início da obra "Cien Años de Soledad" de Gabriel García Márquez.
Obra que mereceu o prémio Nobel e muitos e muitos outros grandes prémios ao longo de 41 anos, que agora celebra.
Muito mais que os prémios que mereceu, pessoalmente é um, ou, o meu livro preferido. Pelo que nos faz sonhar, pelo que nos ensina acerca da vida e da dimensão humana, e, claro, pela própria escrita do Mestre, faz-nos transportar para um universo desde o mais pragmático ao mais onírico. Faz-nos transportar a uma outra dimensão que só Gabriel García Márquez, Gabo para os amigos, é capaz de fazer!
Indiscutivelmente uma referência do século XX. Que nunca esquecerei de levar para a minha ilha deserta.......
Maria Monteiro
Agora que o G8 está reunido em perfeito clima de paz e harmonia, curiosamente quando faz 5 anos sobre a invasão dos EUA sobre o Iraque...
Consequências dos excessos de álcool
Era uma vez um rapaz texano que gostava de se meter nos copos. Em certa ocasião, conduzindo bêbado como um cacho, perdeu o controlo do seu automóvel e destruiu os caixotes de lixo da casa paterna. O pai repreendeu-o duramente, a mão, Barbara, reconheceu que o rapaz tinha sérios problemas com o álcool, e para o ajudar a corrigir o rumo confiaram em Deus, que é americano, e nuns milhões de dólares que o garoto perdeu estrepitosamente em péssimos negócios petrolíferos. Demonstrou que era incapaz de administrar a sua própria casa e voltou com fúria ao caminho do álcool. Bourbon, cerveja, vinho californiano, tequila, desciam pela garganta do jovem texano até que um dia o esperado milagre se apresentou diante dele. Chamava-se Billy Graham, o maior show-man religioso protestante da União. "Aleluia! Louvado seja Ele!" gritava o jovem texano nos estádios repletos de outros alcoólicos e alienados como ele. E Deus ajudou-o, agora é presidente dos Estados Unidos da América e um intelectual requintado, como nos recorda o seu discurso pronunciado na universidade de elite da Costa Este a poucos meses de assumir o cargo: "Não tinha qualquer ideia do que devia fazer quando cheguei. Conhecia alguns que tinham um plano, mas muito em breve ficou demonstrado que nos esperavam todas as possíveis vitórias e todas as derrotas, que geralmente nos causam grandes surpresas".Este intelectual é hoje o homem mais poderoso do mundo e os que se curvam à sua passagem querem evidentemente ser como ele.
in Sepúlveda, Luis, "Uma História Suja", p. 166.
Era uma vez um rapaz texano que gostava de se meter nos copos. Em certa ocasião, conduzindo bêbado como um cacho, perdeu o controlo do seu automóvel e destruiu os caixotes de lixo da casa paterna. O pai repreendeu-o duramente, a mão, Barbara, reconheceu que o rapaz tinha sérios problemas com o álcool, e para o ajudar a corrigir o rumo confiaram em Deus, que é americano, e nuns milhões de dólares que o garoto perdeu estrepitosamente em péssimos negócios petrolíferos. Demonstrou que era incapaz de administrar a sua própria casa e voltou com fúria ao caminho do álcool. Bourbon, cerveja, vinho californiano, tequila, desciam pela garganta do jovem texano até que um dia o esperado milagre se apresentou diante dele. Chamava-se Billy Graham, o maior show-man religioso protestante da União. "Aleluia! Louvado seja Ele!" gritava o jovem texano nos estádios repletos de outros alcoólicos e alienados como ele. E Deus ajudou-o, agora é presidente dos Estados Unidos da América e um intelectual requintado, como nos recorda o seu discurso pronunciado na universidade de elite da Costa Este a poucos meses de assumir o cargo: "Não tinha qualquer ideia do que devia fazer quando cheguei. Conhecia alguns que tinham um plano, mas muito em breve ficou demonstrado que nos esperavam todas as possíveis vitórias e todas as derrotas, que geralmente nos causam grandes surpresas".Este intelectual é hoje o homem mais poderoso do mundo e os que se curvam à sua passagem querem evidentemente ser como ele.
in Sepúlveda, Luis, "Uma História Suja", p. 166.
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