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Recordar um post de Setembro de 2008, porque a fé e a perseverança dos homens não os faz desistir

Corria o ano de 1284, em Beauvais, norte de França e um enorme desafio ao conhecimento medieval estava prestes a ser conseguido na criação da catedral. Contudo, ao ser construída a nave principal com cerca de 50 metros de altura, dá-se uma enorme derrocada. Mas a fé e a perseverança dos homens não os faz desistir e duplicam os pilares para garantirem maior estabilidade. Meio século depois, um dos mais belos monumentos, estava concluído. A Europa conhecia um novo estilo luminoso que se impunha às sólidas e austeras igrejas românicas baseadas no recolhimento e no temor a Deus. As catedrais transmitem agora toda a glória divina, cultivando a luz, a cor e a grandiosidade. Foi o triunfo do estilo Gótico.

Beauvais (Norte de França)



Catedral de Beauvais
Catedral de Beauvais (interior)

É a Luz que nos devolve à vida


Eu que nada sei de poesia, nem entendo os "poetas" que desperdiçam belas palavras em "poemas" inúteis, sempre me fascinaram os génios que das palavras fazem belos monumentos, verdadeiros patrimónios da Humanidade, "oitavas" maravilhas para nos fazerem sentir melhores connosco e com os outros. Não são as palavras que são tristes, mas são as trevas que nos assustam... As palavras ajustadas pela argamassa dos poetas só produzem saber que nunca é triste - é luminoso.


Em época que antecede o Domingo de Páscoa o mundo é ainda mais medonho. Procuremos nas palavras, que não são tristes, a luz que precisamos para ver mais além. E aprendemos a caminhar na vida, mesmo quando uma curva nos faz esquecer de nós...

Fernando Pessoa
A morte é a curva da estrada,
A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
Existir como eu existo.
A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.


23-5-1932
Poesias. Fernando Pessoa