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Casa-Museu José Anastácio Gonçalves


Objectos da Rainha D. Amélia expostos pela primeira vez


Os anos de exílio da Rainha D. Amélia

Colecção Rémi Fénérol

20.Nov.08 a 30.Abr.09



Objectos que pertenceram à Rainha D. Amélia, mulher de D. Carlos, vão ser expostos pela primeira vez ao público, em Lisboa, a partir de quinta-feira, na Casa-Museu José Anastácio Gonçalves. LUSA

"Cerca de 90% dos objectos são expostos pela primeira vez, apenas dois vestidos já estiveram numa exposição em Versalhes, localidade onde a Rainha era muito querida pelo seu apoio à população e obras de caridade", disse à Lusa o director da Casa-Museu, José Alberto Ribeiro.

Além de vestidos, na exposição, que estará patente até Abril, poderão ver-se jóias, papéis diversos como anotações das suas visitas, esculturas, pinturas, objectos de culto, cardápios e dois diários.

"Os diários referem-se ao tempo em que D. Amélia foi voluntária da Cruz Vermelha, durante a I Grande Guerra (1914-1918)", indicou José Alberto Ribeiro.

Uma outra curiosidade é o último menu da Família Real em Portugal, relativo ao almoço de 5 de Outubro de 1910, além de muitas outras ementas pintadas por Enrique Casanova.

Esta exposição, explicou o director da Casa-Museu, "insere-se no conceito de uma colecção na casa de um coleccionador, na medida em que os objectos expostos são parte da colecção de Rémi Fénérol sobre objectos da realeza".

O médico José Anastácio Gonçalves, falecido em 1965 em Leninegrado (actual São Petersburgo), foi um coleccionador de arte portuguesa, tendo sido amigo, entre outros, de José Malhoa.*)

Referindo-se a Fénérol, José Alberto Gonçalves esclareceu que o coleccionador seguiu os passos dos herdeiros dos antigos empregados da Rainha a quem esta, ao longo da vida, ofereceu jóias e objectos pessoais, e que "só se desfizeram desses bens na década de 1980".
Última francesa coroada

Para os franceses, D Amélia "tem um destaque especial, na medida em que foi a última francesa coroada Rainha", assinalou.

Bisneta do rei Luís Filipe de Orléans, D. Amélia casou-se com D. Carlos na Igreja de S. Domingos, em Lisboa, em 1886.

A exposição mostra, não só objectos que saíram de Portugal há cerca de um século, como outros que a Rainha foi adquirindo durante as suas estadas em Inglaterra e em França, onde faleceu, em Chesnay, em 1951.

Fazem parte da mostra, entre outros, quadros pintados por D. Carlos e o Príncipe D. Luís Filipe e aguarelas pintadas pela própria Rainha, bem como objectos de culto como crucifixos e jóias pessoais que a república restituiu em 1911 a D. Manuel II e a D. Amélia.

José Alberto Ribeiro, a este propósito, citou uma frase de D. Amélia, que, referindo-se á jóias devolvidas, escreveu: "Nem um alfinete faltou".

Esta exposição visa atrair mais público à Casa-Museu, que este ano recebeu já 10.000 visitantes.

O historiador Pedro Tavares, em declarações à Lusa, louvou a iniciativa, afirmando que "é através destes eventos que se dinamiza um espaço museológico como a Casa-Museu Anastácio Gonçalves, que tem óptimas características".

Localizada na zona de Picoas, a Casa-Museu reúne essencialmente objectos de uso quotidiano de finais do século XIX e da primeira metade do seguinte e uma colecção de arte portuguesa.

"O facto de Anastácio Gonçalves ser um convicto republicano não choca de forma alguma com a sua casa receber agora objectos da Rainha", observou o historiador.

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* (Este, foi o primeiro dono da casa, tendo feito de um salão envidraçado de alto-abaixo, no primeiro piso, o seu atelier- Maria Celeste Monteiro)

Interacções EXPERIMENTAÇÃO: ARTE, CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Dia 27 de Setembro, às 18h30, no Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva

Pode um artista ter como atelier um laboratório científico? O que leva investigadores e artistas a trabalhar em conjunto? E que impacto terá o resultado dessas sinergias no público?

No próximo dia 27 de Setembro, a partir das 19h45, artistas, investigadores e público em geral debatem no Pavilhão do Conhecimento-Ciência Viva as interacções entre a Arte e a Ciência. A entrada é gratuita.

Da Galiza chega-nos a experiência do projecto NEUSTON, com a presença de José Pintado Valverde, investigador do Instituto de Investigações Marinhas e do Museu do Mar da Junta da Galiza, e de Pablo Carrera, director do Museo do Mar da Xunta de Galicia. Tal como o neuston, ser vivo que vive na fronteira entre a água e o ar, o debate incidirá sobre experiências de diálogo na interface entre a Arte e a Ciência.

Antes da discussão terá lugar uma visita à exposição Experimentação Arte | Ciência e Tecnologia, guiada pelos artistas portugueses que desenvolveram obras em laboratórios de investigação científica.

Esta exposição, patente no Pavilhão do Conhecimento até ao final do mês de Outubro, resultou do programa Rede de Residências, uma parceria entre a Ciência Viva e a Direcção-Geral das Artes/Ministério da Cultura que visa promover a colaboração entre investigadores e artistas.


PROGRAMA:

18h30 - 19h40 - Visita guiada à exposição Experimentação: Arte, Ciência e Tecnologia

19h45 - 21h00 Interacções entre Arte & Ciência (Auditório do Pavilhão do Conhecimento-Ciência Viva):
  • Como estimular parcerias entre investigadores e artistas
  • Quais as possíveis repercussões da interacção entre investigadores e artistas
  • O que se entende por Arte & Ciência no meio artístico e no meio científico
  • O impacto dos trabalhos desenvolvidos junto ao público

Mais informações:
Ana Noronha - Ciência Viva: 96 260 33 20
Programa Rede de residências: www.cienciaviva.pt/divulgacao/arteeciencia/rede.asp