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o nome do cão



O cão tinha um nome
por que o chamávamos
e por que respondia,

mas qual seria
o seu nome
só o cão obscuramente sabia.

Olhava-nos com uns olhos que havia
nos seus olhos
mas não se via o que ele via,
nem se nos via e nos reconhecia
de algum modo essencial
que nos escapava

ou se via o que de nós passava
e não o que permanecia,
o mistério que nos esclarecia.

Onde nós não alcançávamos
dentro de nós
o cão ia.

E aí adormecia
dum sono sem remorsos
e sem melancolia.

Então sonhava
o sonho sólido que existia.
E não compreendia.

Um dia chamámos pelo cão e ele não estava
onde sempre estivera:
na sua exclusiva vida.

Alguém o chamara por outro nome,
um absoluto nome,
de muito longe.

E o cão partira
ao encontro desse nome
como chegara: só.

E a mãe enterrou-o
sob a buganvília
dizendo: " É a vida..."


manuel antónio pina

Fernando Pessoa - ANTÓNIO DE OLIVEIRA SALAZAR

Fernando Pessoa

ANTÓNIO DE OLIVEIRA SALAZAR

António de Oliveira Salazar.
Três nomes em sequência regular...
António é António.
Oliveira é uma árvore.
Salazar é só apelido.
Até aí está bem.
O que não faz sentido
É o sentido que tudo isto tem.
......
Este senhor Salazar
É feito de sal e azar.
Se um dia chove,
A água dissolve
O sal,
E sob o céu
Pica só azar, é natural.
Oh, c'os diabos!
Parece que já choveu...
......
Coitadinho
do tiraninho!
Não bebe vinho.
Nem sequer sozinho...
Bebe a verdade
E a liberdade.
E com tal agrado
Que já começam
A escassear no mercado.
Coitadinho
Do tiraninho!
O meu vizinho
Está na Guiné
E o meu padrinho
No Limoeiro
Aqui ao pé.
Mas ninguém sabe porquê.
Mas enfim é
Certo e certeiro
Que isto consola
E nos dá fé.
Que o coitadinho
Do tiraninho
Não bebe vinho,
Nem até
Café.
s.d.
Da República (1910 - 1935) . Fernando Pessoa. (Recolha de textos de Maria Isabel Rocheta e Maria Paula Mourão. Introdução e organização de Joel Serrão). Lisboa: Ática, 1979.
- p. 349.
1ª publ. in Diário Popular , Lisboa, 30 Maio e 6 Junho 1974 . inc? CF. lello - fotoc

António Quadros sobre Fernando Pessoa (RTP, 1988)

António Quadros sobre Fernando Pessoa from 57 on Vimeo.

António Quadros sobre o Orpheu

O castelo que quero construir... ;-)

"Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
Apesar de todos os desafios,
Incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
E se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si,
Mas ser capaz de encontrar um oásis
No recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma crítica,
mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo ..."
Fernando Pessoa

Miguel Hernandez, Poeta espanhol

Fundación Cultural Miguel Hernandez

A sua Obra:
http://www.miguelhernandezvirtual.com/obra/obra.htm#

Nesta página web, podemos ouvir a sua poesia pela sua própria voz.

"Voz de Miguel Hernández

Como escribe Leopoldo de Luis, en poco más de una década, Miguel vivió una aventura lírica de gran riqueza y de sorprendente evolución. Deslumbrado por el juego barroco de Góngora y de los gongoristas de su tiempo -Alberti, Diego...-, escribió el cuadro multicolor de Perito en lunas. Deslumbrado por la belleza bucólica de Garcilaso, por su "dolorido sentir", y por "las furias y penas" de Quevedo, escribió El rayo que no cesa. Deslumbrado por la simbología ascética y conceptual de Calderón, escribió Quién te ha visto y quién te ve.

Deslumbrado por el turbión del surrealismo y su libertad asociativa, escribió poemas como 'Mi sangre es un camino', 'Sino sangriento', las odas a Neruda y Aleixandre y algunos otros poemas. Deslumbrado por el heroísmo popular, escribió Viento del pueblo. Y ya no deslumbrado, pero sí amargamente sorprendido por el dolor y por la miseria de los comportamientos humanos, escribió El hombre acechay Cancionero y romancero de ausencias. La presencia de Miguel Hernández en el panorama de la poesía española es importante tanto por su propio valor como por sus relaciones de época. Aparece en un momento brillante: cuando la famosa Generación del 27 está mostrando su obra más representativa.

Participa también de la Generación del 36, de su corriente social inspirada en los movimientos obreros y reivindicativos, línea en la que Miguel se encuentra particularmente atraído en cuanto que lleva dentro un innato sentido de la justicia y un vehemente amor al pueblo. La guerra civil, que irrumpe aquel verano del 36 trastornando toda la sociedad española, situará a Miguel en el centro de un importante movimiento de poesía comprometida con la situación. Entusiasta y vitalista por naturaleza, no podía Miguel librar su poesía de las amargas circunstancias concitadas contra él y contra los suyos.

Víctima a lo largo de su vivir de tantas injusticias, se convierte en el más grave cantor de esas tres terribles ausencias que son la guerra, la cárcel y la muerte. Joya de la poesía del amor herido tanto como de la poesía del aherrojamiento, su última producción lo convierte en uno de los más altos poetas españoles de todos los tiempos.

Por otra parte, la obra hernandiana de esos últimos años abrió caminos para la poesía de posguerra. Intensa producción hernandiana la de 1938 a 1940, buena parte escrita desde la cárcel, que se proyecta hacia los jóvenes salidos de la contienda, sin duda desorientados y confusos, sin maestros y algunos hasta casi sin voz."

Exilados em pátria própria


A diferença entre Portugal no tempo de Camões e o Portugal de agora é reduzido. Babilónia e Sião são símbolos bíblicos de exílio da pátria e retratam muitos dramas de Camões. O nosso drama actual, comum aos trabalhadores a recibo verde, é sermos exilados na nossa própria pátria.

Cá nesta Babilónia donde mana matéria

Cá nesta Babilónia donde mana matéria
a quanto mal o mundo cria;
cá onde o puro Amor não tem valia,
que a Mãe, que manda mais, tudo profana;

cá, onde o mal se afina, e o bem se dana,
e pode mais que a honra a tirania;
cá, onde a errada e cega Monarquia
cuida que um nome vão a Deus engana;

cá, neste labirinto, onde a nobreza
com esforço e saber pedindo
vão às portas da cobiça e da vileza;

cá neste escuro caos da confusão,
cumprindo estou o curso da natureza.
Vê se me esquecerei de ti, Sião!

Luís de Camões

DIA DE NATAL DE ANTÓNIO GEDEÃO

DIA DE NATAL DE ANTÓNIO GEDEÃO

HOJE É DIA DE SER BOM É DIA DE PASSAR A MÃO PELO ROSTO DAS CRANÇAS, DE FALAR E DE OUVIR COM MAVIOSO TOM, DE ABRAÇAR TODA A GENTE E DE OFERECER LEMBRANÇAS.

É DIA DE PENSAR NOS OUTROS-COITADINHOS-NOS QUE PADECEM DE LHE DARMOSCORAGEM PARA PODEREM CONTINUAR ACEITAR A SUA MISÉRIA DE PERDOAR AOS NOSSOS INIMIGOS,MESMO AOS QUE NÃO MERECEM, DE MEDITARSOBRE A NOSSA EXISTÊNCIA,TÃO EFÉMERA E TÃO SÉRIA.

COMOVE TANTA FATERNIDADE UNIVERSAL. É SÓ ABRIR O RÁDIO E LOGO UM CORO DE ANJOS, COMO SE DE ANJOS FOSSE, NUMA TOADA DOCE, DE VIOLAS E BANJOS, ENTOA GRAVEMENTE UM HINO AO CRIADOR. E MAL SE EXTINGUEM OS CLAMORES PLANGENTES A VOZ DO LOCUTOR ANUNCIA O MELHOR DOS DETERGENTES.

DE NOVO A MELOPEIA INUNDA A TERRA E O CÉU E AS VOZES CRESCEM NUM FERVOR PATÉTICO (VOSSA EXCELÊNCIA VERIFICOU A HORA EXACTA EM QUE O MENINO JESUS NASCEU? NÃO SEJA ESTÚPIDO!COMPRE IMEDIATAMENTE UM RELÓGIO DE PULSO ANTIMAGNÉTICO) TORNA-SE DIFICIL CAMINHAR NAS PRECIOSAS RUAS. TODA A GENTE SE ACOTOVELA,SE MULTIPLICA EM GESTOS,ESFUZIANTE. TODOS PARTECIPAM NAS ALEGRIAS DOS OUTROA COMO SE FOSSEM SUAS E FAZEM ADEUSES ENLUVADOS AOS BONS AMIGOS QUE PASSAM MAIS DISTANTE.

NAS LOJAS,NA LUXÚRIA DAS MONTRAS E DOS ESCAPARATES COM SUBTIS REQUINTES DE BOM GOSTO E DE ENGENHOSA DINÂMICA CINTILAM,SOB O INTENSO FLUXO DE MILHARES DE QUILOVATES, AS BELAS COISAS INÚTEIS DE PLÁSTICO,DE METAL,DE VIDRO E DE CERÂMICA

OS OLHOS ACORREM,NUM ALVOROÇO LIQUEFEITO, AO CHAMAMENTO VOLUPTUOSO DOS BRILHOS E DAS CORES. É COMO SE TUDO AQUILO NOS DISSESSE DIRECTAMENTE RESPEITO, COMO SE O CÉU OLHASSE PARA NÓS E NOS COBRISSE DE BENÇÃOS E BAVORES.

A ORATÓRIA DE BACH EMBRUXA A ATMOSFERA DO ARRUAMENTO. ADIVINHA-SE UMA ROUPAGEM DIÁFANA A DESEMBRULHAR-SE NO AR. E A GENTE,MESMO SEM QUERER,ENTRA NO ESTABELECIMENTO E COMPRA-LOUVADO SEJA O SENHOR!-O QUE NUNCA TINHA PENSADO COMPRAR.

MAS A MAIOR FELICIDADE É A DA GENTE PEQUENA NAQUELA VÉSPERA SANTA A SUA COMOÇÃO É TANTA,TANTA,TANTA, QUE NEM DORME SERENA.

CADA MENINO ABRE UM OLHINHO NA NOITE INCERTA PARA VER SE A AURORA JÁ ESTÁ DESPERTA. DE MANHÃZINHA SALTA DA CAMA CORRE À COZINHA MESMO EM PIJAMA

AH!!!!!!!!!!!!!!!!

NA BRANDA MACIEZA DA MATUTINA LUZ AGUARDA-O A SURPPRESA DO MENINO JESUS

JESUS, O DOCE JESUS, O MESMO QUE NASCEU NA MANJEDOURA VEIO PÔR NO SAPATIN HO DO PEDRINHO UMA METRALHADORA

QUE ALEGRIA REINOU NAQUELA CASA EM TODO O SANTO DIA! O PEDRINHO,ESTRATEGICAMENTE ESCONDIDO ATRÁS DAS PORTAS, FUZILAVA TUDO COM DEVASTADORAS RAJADAS E OBRIGAVA AS CRIADAS A CAIREM NO CHÃO COMO SE FOSSEM MORTAS: TÁ-TÁ-TÁ-TÁ-TÁ-TÁ-TÁ-TÁ-TÁ-TÁ-TÁ

JÁ ESTÁ! E FAZIA-AS ERGUERPARA DE NOVO MATÁ-LAS E ATÉ MESMO A MAMÃ E O SISUDO PAPÁ FINGIAM QUE CAÍAM CRIVADOS DE BALAS

DIA DE CONFRATERNIZAÇÃO UNIVERSAL, DIA DE AMOR,DE PAZ,DE FELICIDADE, DE SONHOS E VENTURAS. É DIA DE NATAL PAZ NA TERRA AOS HOMENS DE BOA VONTADE GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS.

Alentejo Seen From The Train - Fernando Pessoa



Alentejo Seen From The Train - Fernando Pessoa
Fonte: www.youtube.com
Lisbon South Africa Project beggins

Vinicius de Moraes - A um passarinho

A um passarinho

Para que vieste
Na minha janela
Meter o nariz?
Se foi por um verso
Não sou mais poeta
Ando tão feliz!
Se é para uma prosa
Não sou Anchieta
Nem venho de Assis.

Deixa-te de histórias
Some-te daqui!

Vinicius de Moraes

Mario Viegas - Poema de Mario Cesariny



Para todos os "trangolomangos" deste país..... ;-)))

Em busca da Beleza - Excertos, Fernando Pessoa



(...)

II

Nem defini-la, nem acha-la, a ela -
A Beleza. No mundo não existe.
Ai de quem com a alma inda mais triste
Nos seres transitórios quer colhe-la!

Acanhe-se a alma porque não conquiste
Mais que o banal de cada cousa bela,
Ou saiba que ao ardor de querer havê-la -
À Perfeição - só a desgraça assiste.

Só quem da vida bebeu todo o vinho,
Dum trago ou não, mas sendo até o fundo,
Sabe (mas sem remédio) o bom caminho;

Conhece o tédio extremo da desgraça,
Que olha estupidamente o nauseabundo
Cristal inútil da vazia taça.


III


Só quem puder obter a estupidez

Ou a loucura pode ser feliz.

Buscar, querer, amar...tudo isto diz

Perder, chorar, sofrer, vez após vez.


A estupidez achou sempre o que quis

Do círculo banal da sua avidez;

Nunca aos loucos o engano se desfez

Com quem um falso mundo seu condiz.


Há dois males: verdade e aspiração,
E há uma forma só de os saber males:

É conhece-los bem, saber quem são


Um o horror real, o outro o vazio -

Horror não menos - dois como que vales

Duma montanha que ninguém subiu.



IV

Leva-me longe, meu suspiro profundo,

Além do que deseja e que começa,

Lá muito longe, onde o viver se esqueça

Das formas metafísicas do mundo.


Aí que o meu sentir vago e profundo

O seu lugar exterior conheça,

Aí durma em fim, aí enfim faleça

O cintilar do espírito fecundo.


Aí...mas de que serve imaginar

Regiões onde o sonho é verdadeiro

Ou terras para o ser atormentar?


É elevar demais a aspiração,

E, falhado esse sonho derradeiro,

Encontrar mais vazio o coração.


(...)


Fernando Pessoa

Levo-me pelos meus sentidos assim, hoje...

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.


Fernando Pessoa

***********************************

(...)
O que levamos desta vida inútil
Tanto vale se é
A glória, a fama, o amor, a ciência, a vida,
Como se fosse apenas
A memória de um jogo bem jogado
E uma partida ganha
A um jogador melhor.

A glória pesa como um fardo rico,
A fama como a febre,
O amor cansa, porque é a sério e busca,
A ciência nunca encontra,
E a vida passa e dói porque o conhece...
O jogo do xadrez
Prende a alma toda, mas, perdido, pouco
Pesa, pois não é nada.

(...)


Fernando Pessoa

Saudade de amar (Francis Hime/ Vinícius de Moraes)



Deixa eu te dizer amor
Que não deves partir
Partir nunca mais.

Pois o tempo sem amor
É uma pura ilusão
E não volta mais.

Se pudesses compreender
A solidão que é
Te buscar por aí
Amando devagar
A vagar por aí
Chorando a tua ausência.

Vence a tua solidão
Abre os braços e vem
Meus dias são teus
É tão triste se perder
Tanto tempo de amor
Sem hora de adeus.

Ó volta aqui nos braços meus
Não haverá adeus
Nem saudade de amor.

E os dois sorrindo a soluçar
Partiremos depois.

(Interpretado por Francis Hime e Olivia Hime.)

"Samba de Benção" - Vinicius de Moraes e Toquinho


Samba composto por Vinicius e Baden Powell, interpretado em Mar del Plata.

Fernando Pessoa por Maria Bethânia



Poema do Menino Jesus
(Alberto Caeiro - Fernando Pessoa)
Maria Bethânia - "Maricotinha"

Cai chuva do céu cinzento


Cai chuva do céu cinzento
Que não tem razão de ser.
Até o meu pensamento
Tem chuva nele a escorrer.

Tenho uma grande tristeza
Acrescentada à que sinto.
Quero dizer-ma mas pesa
O quanto comigo minto.

Porque verdadeiramente
Não sei se estou triste ou não.
E a chuva cai levemente
(Porque Verlaine consente)
Dentro do meu coração.


Fernando Pessoa

Mário de Sá Carneiro - "O amor"



O amor

MOTE

Amor é chama que mata,
Sorriso que desfalece,
Madeixa que desata,
Perfume que esvaece.

(popular)

GLOSAS

Amor é chama que mata,
Dizem todos com razão,
É mal do coração
E com ele se endoidece.
O amor é um sorriso
Sorriso que desfalece.

Madeixa que se desata
Denominam-no também.
O amor não é um bem:
Quem ama sempre padece.
O amor é um perfume
Perfume que se esvaece.

Mário de Sá-Carneiro

If there where stairs in the earth



"Video intuitivo...Sentiments na forma de fotografia. movimento e música.
Poesia de Mário de Sá-Carneiro, Música de Bernardo Sassetti, excertos de "Body Song" e "Lost in translation". Um video de João Carvas.