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A Gaivota de Alexandre O´Neill na voz de Sónia Tavares... BELISSIMA!

Se uma gaivota viesse
Trazer-me o céu de lisboa
No desenho que fizesse,
Nesse céu onde o olhar
É uma asa que não voa,
Esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
No meu peito bateria,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
Dos sete mares andarilho,
Fosse quem sabe o primeiro
A contar-me o que inventasse,
Se um olhar de novo brilho
No meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
Morreria no meu peito,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde perfeito
Bateu o meu coração.

Que perfeito coração
No meu peito bateria,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração.

Que perfeito coração
No meu peito bateria,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração

Perfeito o meu coração
Perfeito o meu coração

Perfilados de Medo - Poema de Alexandre O'Neil

Perfilados de medo agradecemos
o medo que nos salva da loucura
Decisão e coragem valem menos
e a vida sem viver é mais segura

Aventureiros já sem aventura
perfilados de medo combatemos
irónicos fantasmas à procura
do que não fomos, do que não seremos

Perfilados de medo, sem mais voz
o coração nos dentes oprimido
os loucos, os fantasmas somos nós

Rebanho pelo medo perseguido
já vivemos tão juntos e tão sós
que da vida perdemos o sentido

Alexandre O'Neil

Este poema foi musicado por José Mário Branco para o álbum (LP, na época) "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" editado em Novembro de 1971 pela Sasseti, tendo sido gravado em França durante o seu exílio. Este trabalho teve também a colaboração, entre muitos outros artistas, de Sérgio Godinho, também exilado na época em França.

Surrealismo Português em Tomar



Posted: 19 Jan 2009 12:06 AM PST

Precisamente 60 anos depois, é hoje evocada a primeira exposição do Grupo Surrealista de Lisboa, com uma Mesa Redonda em Tomar, numa organização dos Serviços de Museologia da Câmara Municipal de Tomar.

A 19 de Janeiro de 1949, um grupo de jovens artistas – Alexandre O’Neill, António Dacosta, António Pedro, Fernando de Azevedo, João Moniz Pereira, José-Augusto França e Marcelino Vespeira – inauguraram a primeira (e única) exposição do Grupo Surrealista de Lisboa.

A Mesa Redonda de hoje (às 18 horas, com entrada livre, no Clube Thomarense - Rua de Serpa Pinto), que contará - para além do próprio José-Augusto França - também com a presença de Rui Mário Gonçalves, Raquel Henriques da Silva e Cristina de Azevedo Tavares, assinala o arranque de um programa que o Núcleo de Arte Contemporânea (cujo acervo compreende diversas obras de artistas daquele Grupo) dedicará, durante este ano de 2009, à comemoração deste acontecimento.

in http://tomar-actual.net/

Alexandre O'Neill - "Há palavras que nos beijam"


"Há palavras que nos beijam"

Há palavras que nos beijam

Como se tivessem boca.

Palavras de amor, de esperança.

De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas

Quando a noite perde o rosto;

Palavras que se recusam

Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas

Entre palavras sem cor,

Esperadas inesperadas

Como a poesia ou o amor.

( O nome de quem se ama

Letra a letra revelado

No mármore distraído

No papel abandonado )

Palavras que nos transportam

Aonde a noite é mais forte.

Ao silêncio dos amantes

Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill

Alexandre O'Neill

Poema retirado de "Seis poemas confiados à memória de Nora Mitrani", de Alexandre O'Neill


Passam os anos a caratear...
Com ou sem sorte,
não será tempo de viver, de amar,
de resistir à morte?

Ouve amor-o-eterno e o que ele diz
a quem se dá.
Não esperes pelo tempo: sê feliz
que a felicidade é já!

E a felicidade é esse rosto eleito
por ti,
é esse palmo de ternura e o jeito
com que sorri.

E a felicidade é a melancolia
que nesse rosto existe,
quando te quer dizer que só por ele
é bom estar triste...

Passem, então, os anos a deitar-nos
línguas de fora...
Se morrermos será de nos amarmos
em cada hora!

Mais um ano de esperança? Não o queiras
se a esperança é adiar,
e vive-o como se fosse a vida inteira
se tiveres de esperar!...