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Mário Cesariny

Em todas as ruas te encontro

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco

Mário Cesariny


Estação

Esperar ou vir esperar querer ou vir querer-te
vou perdendo a noção desta subtileza.
Aqui chegado até eu venho ver se me apareço
e o fato com que virei preocupa-me, pois chove miudinho

Muita vez vim esperar-te e não houve chegada
De outras, esperei-me eu e não apareci
embora bem procurado entre os mais que passavam.
Se algum de nós vier hoje é já bastante
como comboio e como subtileza
Que dê o nome e espere. Talvez apareça


Mário Cesariny

OBRA GRÁFICA SURREALISTA NO CPS - CCB


Lud, Carlos Calvet, Raúl Perez, Mário Cesariny, Artur Cruzeiro Seixas e Eurico Gonçalves

Centro Português de Serigrafia no CCB

De 14 de Fevereiro a 29 de Março


A partir de sábado, 14 de Fevereiro e até 29 de Março estará patente nas instalações do Centro Português de Serigrafia no Centro Cultural de Belém (Loja nº 7), uma exposição de obra gráfica, gravura e serigrafia, de artistas sobreviventes do Surrealismo em Portugal: Lud, Carlos Calvet, Raúl Perez, Mário Cesariny, Artur Cruzeiro Seixas e Eurico Gonçalves, intitulada SURREALISTAS – Edições do Centro Português de Serigrafia.

O Surrealismo, movimento criado por André Breton em 1924 (ano da publicação do Manifesto Surrealista), no estrangeiro como em Portugal, apostou na ligação da criação artística ao inconsciente e teve grande expressão na literatura e nas artes plásticas. O poeta e pintor António Pedro foi entre nós um dos precursores deste movimento com o qual contactou em Paris, onde vivia, em 1935. A sua pintura surrealizante foi exposta pela primeira vez em 1936 na Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa. A exposição em 1940 de Pedro com António Dacosta e a escultora inglesa Pamela Boden tornou-se um marco fundamental na afirmação desta tendência marcante do imaginário português do século XX até então ligado e segundo José Augusto França "a valores naturalistas modernizados". A relação com o meio francês e com André Breton intensificou-se com a partida de António Dacosta e de Cândido da Costa Pinto para Paris onde este último participou na grande exposição de 1947 ano em que se constituíu o Grupo Surrealista de Lisboa. Dele fizeram parte pintores, poetas e pintores-poetas: António Pedro, Fernando de Azevedo, Vespeira, Alexandre O'Neill, António Domingues, José-Augusto França, Mário Cesariny, Moniz Pereira e António Dacosta.

O grupo apresentou-se pela primeira vez em 1949 numa única Exposição Surrealista, onde se destacou um célebre "cadavre exquis", tendo-se dissolvido logo a seguir. Mário Cesariny formou então outro grupo com Cruzeiro Seixas e Mário Henrique de Leiria, entre outros, realizando nesse contexto duas exposições em 1949 e 1950. O Surrealismo que se embrenhou posteriormente em querelas e polémicas internas e externas, como a que o opôs ao grupo dos neo-realistas interessou numerosos artistas então jovens: Fernando Lemos, Carlos Calvet, Jorge Vieira, D'Assumpção, Eurico Gonçalves e Areal e mais tarde, em expressões que dele derivaram, René Bertholo, Paula Rego, Lurdes Castro e Noronha da Costa, entre muitos outros. A estética surrealista manteve em Portugal e até aos nossos dias uma presença que se prolongou justamente em obras como as de Lud, Carlos Calvet, Raúl Perez, Mário Cesariny, Artur Cruzeiro Seixas e Eurico Gonçalves que podemos apreciar nesta exposição temática na galeria do CPS no CCB.

Centro Português de Serigrafia

Centro Cultural de Belém, Loja 7

1449-003 Lisboa

T. 213 162 175

E-mail: cpsccb@cps.pt

Horário: todos os dias das 10h00 às 21h00.

Entrada gratuita

Mário Cesariny - Autografia

Autografia - 1




Autografia - 2





Autografia - 3

"O Navio de Espelhos"



Mário Cesariny

Música de Rodrigo Leão