Museu do Design e da Moda (MUDE) - no edifício do BNU, na Rua Augusta, em Lisboa.



Texto e imagem adaptados da revista
Máxima.

"As colecções de Design e de Moda reunidas por Francisco Capelo estão a partir de agora no mesmo Museu, em plena Baixa lisboeta.
Bárbara Coutinho, directora do MUDE, explica-nos as opções tomadas.

Por Anabela Mota Ribeiro
Fotografia de Pedro Bettencourt





Bárbara Coutinho considera 2009 o ano de abertura do Museu do Design e da Moda, que dirige, porque o MUDE passará agora a oferecer uma programação contínua. O novo Museu ocupa o antigo edifício do BNU, na Rua Augusta, em Lisboa.

Duas exposições estão calendarizadas: Antestreia, de 21 de Maio a Outubro, e logo depois É proibido proibir.

Somam-se ainda uma Sala de Ensaio para residências de designers e o projecto Combo, em 13 lojas tradicionais da Baixa.

Antestreia é a primeira exposição do Museu do Design e da Moda. O que é que propõe?
É um preview do que o museu é, ou pode vir a ser. A exposição tem 15 núcleos, 15 momentos importantes na história do design e da moda. São peças que foram ícones de uma época, que alteraram hábitos, mentalidades, o modo de viver, a relação com o corpo. Existe uma linha cronológica subjacente, mas ela não é fechada em si mesma. O trabalho que tenho desenvolvido com os arquitectos do atelier do Ricardo Carvalho e da Joana Vilhena sublinha a transversalidade das peças, a proximidade entre elas.

Como é que são dispostas no espaço?
O espaço não vai ter divisórias. A pessoa entra e tem uma perspectiva de conjunto. Que vai manter-se sempre. Aproxima-se do núcleo onde pode ver as peças do Corbusier ou do núcleo Galliano, ou do grupo Memphis, ou da peça A, B ou C. As ligações e os diálogos entre formas, técnicas e influências estão sempre lá.

O edifício é tido como uma personagem da exposição?
É uma personagem como são as peças. Este edifício, antiga sede do BNU, é o último do Cristiano da Silva. O que respiramos ali é uma espacialidade de um luxo já decadente: as colunas descarnadas, o estuque meio partido, os tectos e as paredes no estado em que estão... Essa ambiência, vamos manter.

Do vasto espólio do museu, seleccionou para esta exposição 175 peças. Quer destacar duas e fazer o seu enquadramento?
Uma cadeira do Hans Wegner, do final dos anos 40, tipicamente do design escandinavo. Foram escolhidas para o cenário do debate Kennedy-Nixon. (Kennedy decidiu que o debate iria ser de pé e ficaram as duas cadeiras vazias…) Vamos ter as imagens do debate junto com a peça. Outra peça: um vestido que recupera todo o glamour dos anos 50, com uma cauda de seis metros, desenhado por Galliano quando foi director artístico da Givenchy. O vestido vai surgir como protagonista, sozinho no espaço, mas em relação com o filme A Dama de Shangai, do Orson Welles, com a Rita Hayworth no meio dos espelhos. Esse filme permite ao visitante ter uma noção mais teatral, múltipla da realidade da moda. E Galliano tem esse sentido da teatralidade."




Texto e imagem adaptados da revista Máxima.