Tempos houve, em Portugal, em que ter opinião era delito com direito a prisão sem direitos. Poucos de lembram de um estado autocrático onde a democracia era apenas um sonho e uma dura luta em que muitos perderam a vida e a cidadania. Em 1974 o sonho tornou-se realidade e as prisões politicas abriram as portas para que os condenados pelo delito de opinião voltassem à luz. A alegria inundou as ruas...
35 anos depois, alguns gostariam de voltar a esses dias onde a critica e o pensamento fossem punidos com dureza. O poder não gosta de vozes discordantes, mesmo quando esse poder foi conseguido por eleições democráticas. A sociedade está doente e a democracia está em perigo. Pensar voltou a ser acto subversivo. Falar alto voltou a ser proibido. Temos medo que nos retirem o pouco que ainda temos para sobreviver. O poder vicia e os políticos não querem perder o poder.
É preciso voltar a falar alto e a respeitar a opinião do outro. Podemos ser daquela opinião e da contrária, se for preciso, mas temos o direito de a ter. O confronto de opiniões é necessário, porque da discussão nasce a luz, com o povo diz. E eu acrescento: se alguém tem a mesma opinião que eu, um de nós está a mais...
Para que nos esqueçamos de um dos desígnios de Abril, a libertação dos presos políticos, como nos lembrou oportunamente a nossa amiga Isabel.
Para que nos esqueçamos de um dos desígnios de Abril, a libertação dos presos políticos, como nos lembrou oportunamente a nossa amiga Isabel.