O cinema como arte e espectáculo pretende contar histórias, transmitir emoções e causar impacto na assistência. É isto que torna a 7ª arte tão singular e apaixonante, mesmo quando se inspira nas suas seis irmãs mais velhas.
Em entrevista a François Truffaut, Alfred Hitchcock, fala duma das suas experiências mais emblemáticas:
“Ainda hoje não sei como é que fui parar a esse truque da Corda, porque não posso chamar-lhe outra coisa senão um truque.
A peça representava-se sem intervalos, seguindo a acção do levantar até ao correr da cortina. Perguntei-me: “Como é que posso filmar isto com um sentido semelhante?”. A resposta era evidentemente a da técnica do filme ser igualmente contínua, sem fazer qualquer interrupção numa história que começava às 19h 30 m e acabava às 21h 15m. Foi por isso que tive essa ideia maluca de rodar um filme que constituísse um só plano.
Hoje em dia, quando penso nisso, acho que era uma ideia completamente parva porque rompia com todas as minhas teorias sobre a fragmentação do filme e as possibilidades da montagem para contar uma história. Contudo, rodei o filme da mesma maneira como estava antecipadamente montado. Os movimentos da câmara e os movimentos dos actores reconstituíram exactamente o meu modo habitual de «décopage», ou seja mantive o princípio da proporção das imagens em relação à importância emocional dos momentos dados.
Evidentemente, tive enormes dificuldades para o fazer e não só com a câmara. Por exemplo, com a luz: havia no filme uma contínua baixa de luz, compensada por mudanças de iluminação, desde as 19h 30m às 24h 15m, uma vez que a acção começava ainda durante o dia e acabava quando já era noite. Outra dificuldade técnica a ultrapassar era a interrupção forçada no fim de cada bobine. Resolvi-a, fazendo passar um personagem diante da objectiva para a obscurecer nessa altura. Por exemplo, acabava-se com um grande plano sobre o fato dum personagem e no principio da bobine seguinte retomava-se igualmente o grande plano sobre esse fato”.
De salentar neste filme do produtor inglês Bernstein, Sidney (1899-1993), ser a primeira obra do grande mestre do suspense onde aparece James Stewart, um actor emblemático na sua cinematografia.
1920s: Number 13 • The Pleasure Garden • The Mountain Eagle • The Lodger: A Story of the London Fog • Downhill • Easy Virtue • The Ring • The Farmer's Wife • Champagne • The Manxman • Blackmail • 1930s: Juno and the Paycock • Murder! • Elstree Calling • The Skin Game • Mary • Number Seventeen • Rich and Strange • Waltzes from Vienna • The Man Who Knew Too Much • The 39 Steps • Secret Agent • Sabotage • Young and Innocent • The Lady Vanishes • Jamaica Inn • 1940s: Rebecca • Foreign Correspondent • Mr. & Mrs. Smith • Suspicion • Saboteur • Shadow of a Doubt • Lifeboat • Aventure Malgache • Bon Voyage • Spellbound • Notorious • The Paradine Case • Rope • Under Capricorn • 1950s: Stage Fright • Strangers on a Train • I Confess • Dial M for Murder • Rear Window • To Catch a Thief • The Trouble with Harry • The Man Who Knew Too Much • The Wrong Man • Vertigo • North by Northwest • 1960s: Psycho • The Birds • Marnie • Torn Curtain • Topaz • 1970s: Frenzy • Family Plot