È preciso que algo mude para que tudo fique na mesma
Citado de memória do filme Leopardo de Luchino Visconti
Citado de memória do filme Leopardo de Luchino Visconti

Il Gattopardo, realizado em 1963 por Luchino Visconti, baseado no romance homónimao de Tomasi di Lmpedusa,, é um dos filmes mais amados pelos cinéfilos. Obra de arte de enorme valor estético e artístico formal, é a saga da decadência da nobreza rural siciliana na época do Risorgimento. Em 1860, enquanto Garibaldi e os seus “camisas vermelhas” invadem a Sicília, o Príncipe Don Fabrizio Salina refugia-se com a família em Donnafugata, num ambiente mundano, longe da guerra civil, que varre o país…
Visconti afirmava, após a queda de Mussolini: “Fui atraído pelo cinema, sobretudo pela necessidade de contar histórias de homens vivos, homens vivendo nas coisas e não coisas em si mesmas (…) Os mais humildes gestos do homem, o seu andar, as suas sensações, os seus instintos, bastam para dar poesia e vibração aos objectos que o rodeiam. O peso do ser humano, a sua presença, é a única coisa que deve inundar as imagens”.
O cinema revela-nos realidades submersas na rotina diária e fúteis interesses pessoais imediatos. Por contar histórias de homens dá ao homem a dimensão que a actual sociedade não lhe dá. Quais ratos perdidos num laboratório controlado mo maléficos cientistas somos cada um por si sem qualquer sentido à espera de quem será a próxima cobaia. Realidades incontornáveis permanecem escondidas daqueles que se recusam encontrar os fundamentos da existência.
É preciso evoluir para que a nossa realidade permaneça inalterada. Paradas estão as estátuas e é ver o que os pombos lhes fazem…Portugal é uma estátua cravejada de pérolas expelidas pelas partes traseiras dos pombos que povoam as nossas praças. Portugal desliza desamparado para a desgraça da gente que ainda resiste neste canto chamado pátria, mátria (como preferia Natália Correria) ou terra madrasta que nega oportunidades aos seus filhos e enteados. E que faz o cinema português actual para refectir estas questões? O cinema poruguês é subsidiado com os nossos impostos e nem sequer vemos os resultados, quanto mais nos vemos refectidos no cinema.
Uma nova praga de parasitas assalta-nos pela televisão, rádio e jornais. São os académicos perfilados nos ecrãs, viajando nas ondas hertzianas e embrulhados em papel de jornal. Dizem coisas sem sentido a que chamam proféticas ou, mais prosaicamente, de previsões que desdizem logo no dia seguinte para alinharem uma nova teoria que irão contradizer no dia seguinte. O futuro será completamente diverso daquele que foi profetizado, seja o aumento exponencial do petróleo ou dos dias gloriosos que se avizinham resultado do bem amado Mercado e das suas leis selvagens. O futuro irá ser mais negro e o petróleo irá descer e subir ao sabor da especulação. Dirão depois que não falharam, a culpa é da maldita globalização e das bolsas das nossas desgraças. As suas teorias são, portanto infalíveis!
Todas as manhãs a gazela sabe que deverá correr mais que os mais rápido predador, para garantir a sobrevivência. O leão sabe que terá de correr mais rápido que a mais lenta presa para garantir a sua substancia. Vidas de presas e predadores é apenas aquilo que nos garante este admirável mundo novo deste século XXI.