Documento da autoria de investigadores da FCTUC entrará brevemente em vigor- 2009-07-07
Construção de rotundas regidas por regras gerais e específicasVerifica-se um número crescente de rotundas por todo país. Esta é uma solução que aparece para aumentar a segurança rodoviária, mas que não dispõe de regras formais de apoio ao seu dimensionamento, segundo asseguram investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).
Com a entrada em vigor do Projecto – Disposições Normativas para Dimensionamento de Rotundas (concepção geométrica e cálculo de capacidades) prevê-se que esta situação mude.
Um documento técnico – da autoria de uma equipa de investigação da FCTUC, elaborado por solicitação da EP - Estradas de Portugal –, e vai ser editado pelo Instituto de Infra-Estruturas Rodoviárias (InIR), passará a obrigar o cumprimento de um conjunto de requisitos na concepção de rotundas.
O dispositivo normativo foi concluído no final de 2006, e sujeito, posteriormente, a pareceres técnicos de diversas entidades nacionais da área da segurança rodoviária. “As rotundas pululam por todo o país, mas têm sido construídas à margem de qualquer norma ou disposição técnica, sendo comum a sua aplicação em locais inadequados e o desenvolvimento de soluções pouco legíveis, sem cumprimento das regras básicas de segurança”, explica Ana Bastos, autora principal do manual.
A investigadora continua: “Ao contrário do que se possa pensar, a construção de uma rotunda não passa só por desenhar a correspondente ilha central, havendo um conjunto de regras gerais e específicas de avaliação da qualidade global da solução que é necessário ter em atenção. Só assim é possível contribuir para a redução da sinistralidade em rotundas”.
Rotundas podem reduzir 40 a 60 por cento dos acidentes
Por vezes contestada a eficácia destas construções, a Ana Bastos defende que “é uma óptima solução, desde que concebidas correctamente. O investimento inicial é extremamente reduzido e são de fácil manutenção”.
Redução de acidentes
Em países como “Inglaterra ou Austrália, a transformação de um cruzamento prioritário numa rotunda, traduz-se numa redução de 40 a 60 por cento na frequência dos acidentes e em mais de 95 por cento nos com vítimas mortais. Também o aumento de capacidade ultrapassa os 40 por cento”, observa ainda a investigadora.
Questionada sobre boas práticas, esta autora do documento considera que “por vezes se valoriza a estética em detrimento da segurança dos utilizadores, o que é errado". Refere, entre outros parâmetros, a dimensão da rotunda, o número de vias de circulação e o ordenamento paisagístico da ilha central são aspectos a que se deve dar a máxima atenção: as soluções compactas e que condicionem o comportamento do condutor, são as mais seguras.
Conclui a investigadora: “A colocação de obstáculos físicos rígidos (por exemplo, estátuas, observadas em muitas rotundas) é um erro técnico”. A rotunda tem como função “regular o trânsito automóvel, mas assume igualmente um contributo válido na segurança dos peões e na requalificação do meio envolvente”.
As disposições técnicas para Dimensionamento de Rotundas foram concebidas para aplicação quer a espaços interurbanos quer urbanos, respondendo assim não só às necessidades das diferentes concessionárias, mas também das autarquia.
