Alterações climáticas reflectem-se no impacto espacial das secas
Nos últimos 30 anos as secas têm-se tornado geograficamente mais extensas em Portugal, revela estudo do Instituto Superior Técnico- 2009-07-07
Investigadores do Instituto Superior Técnico (IST) constataram que em Portugal, desde os anos 70, os fenómenos meteorológicos extremos têm gradualmente uma extensão espacial cada vez maior. Cada nova seca ou cheia tende a abranger mais território do que as anteriores.
Este estudo é parte integrante do projecto Europeu SADMO – Sistema para Avaliação de Desertificação no Mediterrâneo Ocidental e de um outro financiado pela FCT, CIDMEG – Sistema de Informação da Desertificação para a Margem Esquerda do Guadiana.
Os investigadores do CERENA (Centro de Recursos Naturais e Ambiente do IST) e do ICAAM - Instituto Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas (U. Évora) estudaram a variabilidade espacial de indicadores de secas, moderadas e extremas, e concluíram que, quando ocorrem, são cada vez mais extensas geograficamente.
Espanha já constatou este fenómeno de maior homogeneidade espacial das precipitações extremas, com a grande seca de 2007/2008 que teve particular incidência na Catalunha. Quando ocorre uma seca já não há regiões com excesso de água.
Secas têm-se tornado mais intensas no Sul de Portugal
Nos referidos projectos os resultados mostram também que a intensidade das secas aumentou significativamente desde 1940. As zonas costeiras do Algarve e os conselhos de Castro-Verde, Aljustrel, Mértola, Beja e Odemira são os que apresentam uma maior tendência para o aumento da intensidade das secas.
Estas conclusões sobre impactos locais de curto e médio prazo das alterações climáticas estão em consonância com estudos recentes de outros países. Um relatório do governo dos Estados Unidos (do «U.S. Global Change Research Programme») lançado em Junho faz uma avaliação local, ao nível do país, do impacto das alterações climáticas e salienta as secas como um dos efeitos mais violentos que se vão sentir a curto prazo.
É com esta nova realidade, constatada por estes projectos, que Portugal tem de conviver particularmente na gestão da água e gestão das bacias hidrográficas.
Artigo: Indices of precipitation extremes in Southern Portugal – a geostatistical approach, in «Natural Hazards and Earth System Sciences»R. Durão, M. J. Pereira, A. Soares (CERENA, Instituto Superior Técnico, Lisboa), A. C. Costa (ISEGI, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa), J. M. Côrte-Real (ICAAM, Universidade de Évora, Évora) http://www.nat-hazards-earth-syst-sci.net/9/241/2009/nhess-9-241-2009.html
in http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=33105&op=all
