Ninho de Vicios - Tugas Sem Sentido

Estádio Olímpico de Pequim com capacidade para 91 mil espectadores
Portugal é um país diferente de todos os outros. Os portugueses são diferentes de todos os restantes povos. A principal característica que nos define é sermos implosivos, isto é, sofremos do síndroma da implosão. Gostamos de nos auto-destruir e culpar os outros por serem melhores que nós. Incapazes e pouco produtivos temos, e tivemos sempre, uma elite sugadora de recursos, vivendo à custa dos nossos parcos meios, para nos enterrarem cada vez mais nas estatísticas do mundo e enriquecerem o seu património.

Habituados a que nos resolvam os problemas que não sabemos resolver, recorremos sempre a esquemas de fuga para a frente, não resolvendo os problemas endógenos, mas "temos o resto do mundo para nos safar", quer para nos financiar os vícios e aí pode ser o ouro do Brasil ou os subsídios da União Europeia, quer para ser bode expiatório dos nossos fracassos. "A crise mundial e a globalização são a causa da nossa desgraça, pobres de nós, pequeninos calimeros, vitimas do mundo".

No ano em que a selecção nacional de futebol nos envergonhou, chegou a vez da selecção olímpica, com desculpas risíveis como "não estou preparada para isto", "a égua é histérica", "os árbitros não gostam de nós" ou "ao ver tanta gente a olhar para mim no estádio fiquei assustado", de reduzir a cinzas o nosso investimento de muitos milhões de euros. Já nem o desporto consegue esconder quão maus têm sido os nossos políticos que nos colocam na cauda do mundo por tantos insucessos sociais, económicos e competitivos. Triste é ouvir que o nosso modelo politico está esgotado. Mas afinal para que serviu a revolta militar no dia 25 de Abril de 1974?

Helder Monteiro